Hierarquias de gênero e cultura esportiva: Percepções de alunas do ensino médio em uma escola pública brasileira
Contenido principal del artículo
Resumen
O estudo descreve e interpreta as percepções de alunas do Ensino Médio sobre a cultura esportiva escolar, com foco em indícios de barreiras de gênero que podem limitar sua participação em campeonatos escolares. Realizada em uma escola pública do Cariri cearense, a pesquisa adotou desenho descritivo-exploratório, com aplicação de questionário a 90 alunas, análise estatística descritiva e interpretação teórico-conceitual dos padrões agregados de resposta. Os resultados indicam baixa participação feminina e sugerem sua associação com percepções de insegurança no ambiente competitivo, fragilidade da infraestrutura, mobilização institucional ambígua e presença limitada de debates sistemáticos sobre o gênero nas aulas de Educação Física. Conclui-se que, no contexto investigado, a escola pode atuar como espaço de reprodução de hierarquias de gênero quando não problematiza as normas que organizam a cultura esportiva, o que reforça a necessidade de intervenções pedagógicas orientadas por perspectivas pós-críticas.
Descargas
Detalles del artículo

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
La cesión de derechos no exclusivos implica también la autorización por parte de los autores para que el trabajo sea alojado en los repositorios institucionales UNLP (Sedici y Memoria Académica) y difundido a través de las bases de datos que los editores consideren apropiadas para su indización, con miras a incrementar la visibilidad de la revista y sus autores.
Citas
Aartun, I., Walseth, K., Standal, Ø. F. & Kirk, D. (2022). Pedagogies of embodiment in physical education–a literature review. Sport, Education and Society, 27(1), 1-13. https://doi.org/10.1080/13573322.2020.1821182
Adelman, M. (2006). Mulheres no esporte: corporalidades e subjetividades. Movimento, 12(1), 11-29.
Augusto, C. N. (2022). Encontros no cu do mundo: alianças entre os estudos feministas, queer (decolonial) e a Educação Física cultural [Dissertação de Mestrado]. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo. https://repositorio.usp.br/item/003084434 Acesso em 01 jan. 2026,
Augusto, C. N. & Neira, M. G. (2021). (Um) Currículo cultural contrassexual? Movimentos que possibilitam corpos em trânsito. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 43, e002221. https://doi.org/10.1590/rbce.43.e002221
Berg, P. & Lahelma, E. (2010). Gendering processes in the field of physical education. Gender and education, 22(1), 31-46. https://doi.org/10.1080/09540250902748184
Bourdieu, P. & Passeron, J. (2009). A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino (2. ed.). Ed. Vozes.
Castro-García, M., Landi, D., López-Villar, C. & Kirk, D. (2025). Deportigualízate: developing a critical intersectional feminist curriculum for physical education. Sport, Education and Society, 1–16. https://doi.org/10.1080/13573322.2025.2549348
Connell, R. (2016). Gênero em termos reais. NVersos.
Goellner, S. V. (2004). A produção cultural do corpo feminino. In J. Souza & S. Votre (Orgs.), Imaginário e Educação Física (pp. 101–106). Shape.
Goellner, S. V. (2005). A produção cultural do corpo. In G. L. Louro, J. F. Neckel & S. V. Goellner (Orgs.), Corpo, gênero e sexualidade: Um debate contemporâneo na educação (pp. 28-40). Vozes.
Goodson, I. F. (1995). Currículo: Teoria e História. Vozes.
Hay, P. J. & Macdonald, D. (2010). The gendering of abilities in Senior PE. Physical Education and Sport Pedagogy, 15(3), 271-285. https://doi.org/10.1080/17408980903150147
Knijnik, J. D. (2013). Gênero e esporte: História, epistemologia e transversalidade. In J. D. Knijnik (Org.), Gênero e esporte: Masculinidades & feminilidades (pp. 11-30). Apicuri.
Lima, G. A., Ferreira, H. S. & Rufino, L. G. B. (2024). Relações de gênero no judô: uma revisão integrativa. Ágora para la Educación Física y el Deporte, 26, 144-167. https://doi.org/10.24197/aefd.26.2024.144-167
Lima, G. A., Macêdo, C. G. & Millen Neto, Á. R. (2023). Reflexões sobre a participação das mulheres no campo das artes marciais e as representações de gênero incutidas nesse processo. Revista Cocar, 18(36).
Lima, G. A., Martins, D. G., da Silva, F. J. S., Neto, F. P. M. & Vasques, D. G. (2023). “Isso não vai tirar a feminilidade dela de forma alguma”: percepções de jovens mulheres sobre as relações de gênero na capoeira. Conexões, 21, e023034. https://doi.org/10.20396/conex.v21i00.8674393
Lima, G. A. & Rufino, L. G. B. (2025). Estabelecida ou outsider? análise da educação física no currículo escolar à luz da teoria figuracional. Dialogia, 55, e26903. https://doi.org/10.5585/55.2025.26903
Lima, G. A., Rufino, L. G. B., Turelli, F. & Millen Neto, A. R. (2025). “Estamos no treino, mas não podemos nos descuidar”: um estudo etnográfico sobre as relações de gênero no karatê. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 47, e20240126. https://doi.org/10.1590/rbce.47.e20240126
Lima, G. A., Vasques, D. G. & Mariante Neto, F. P. (2023). Análise da produção acadêmica brasileira sobre o cangaço: reflexões à luz da sociologia figuracional de Norbert Elias. Revista Mosaico, 14(3), 76-87.
Mariano, E. R., da Silva, F. E. L., Souza, S., de Souza Rizzo, D. T., Rosa, V. A. V. & Monteiro, L. F. (2021). Elas podem se machucar: As Lutas no combate ao preconceito de gênero na Educação Física Escolar. Research, Society and Development, 10(3), e4410312946. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i3.12946
Metcalfe, S. (2018). Adolescent constructions of gendered identities: the role of sport and (physical) education. Sport, Education and Society, 23(7), 681–693. https://doi-org.ez21.periodicos.capes.gov.br/10.1080/13573322.2018.1493574
Monteiro, M. V. P. (2017). A construção identitária nas aulas de educação física. Revista Brasileira de Educação, 22, 339-359. https://doi.org/10.1590/S1413-24782017226918
Nascimento, A. S. D. (2022). Queerizando o currículo cultural de Educação Física: apostando na produção de novos marcos de reconhecimento a partir das cenas didáticas [Dissertação de Mestrado]. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48140/tde-16022023-092256/pt-br.php Acesso em 01 jan. 2026.
Nascimento, A. S. D., Augusto, C. N. & Neira, M. G. (2024). Educação física cultural na pandemia e estudos (cu) ier: corpos subversivos em cena. Debate feminista, 67, 221-252. https://doi.org/10.22201/cieg.2594066xe.2024.67.2406
Neira, M. G. (2014). Práticas corporais: brincadeiras, danças, lutas, esportes e ginásticas. Editora Melhoramentos.
Neira, M. G. (2017). Análise e produção de relatos de experiência da educação física cultural: uma alternativa para a formação de professores. Textos FCC, 53, 53-103. https://publicacoes.fcc.org.br/textosfcc/article/view/5552
Neira, M. G. (2020). A abordagem das diferenças no currículo cultural da Educação Física. Humanidades & Inovação, 7(10), 39-56. https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/2892 Acesso em: 01 jan. 2026.
Norambuena, S. P., Sandoval, J. A. & Saldías, A. S. (2024). Coeducación y género: concepciones y prácticas educativas del profesorado de Educación Física en Chile. Revista San Gregorio, 1(60), 62-70. https://revista.sangregorio.edu.ec/index.php/REVISTASANGREGORIO/article/view/3289 Acesso em: 20 dez. 2025.
Oliveira, M. C., Jaeger, A. A. & Roth, V. J. D. S. (2019). Estereótipos de gênero e educação física: diálogos com estudantes de Ensino Médio. Arquivos em Movimento, 15(1), 75-96.
Oliver, K. L. & Kirk, D. (2016). Towards an activist approach to research and advocacy for girls and physical education. Physical Education and Sport Pedagogy, 21(3), 313-327.
Prado, V. M., Altmann, H. & Ribeiro, A. I. M. (2016). Condutas naturalizadas na educação física: uma questão de gênero. Currículo sem fronteiras, 16(1), 59-77. http://www.curriculosemfronteiras.org/vol16iss1articles/prado-altmann-ribeiro.htm Acesso em: 15 jun. 2025.
Schüßler, A., Holler, C. & Hill, Y. (2025). Do you prefer to collaborate with students pursuing the same goals?–A network analysis of physical education classes. British Journal of Educational Psychology. https://doi.org/10.1111/bjep.12757
Silva, T. (2016). Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Autêntica.
Simon, M., Marttinen, R. & Phillips, S. (2021). Marginalized girls’ gendered experiences within a constructivist afterschool program (REACH). Sport, Education and Society, 26(6), 579-591. https://doi.org/10.1080/13573322.2020.1764926
So, M. R., Martins, M. Z., Santos, G. R., Prodócimo, E., Ushinohama, T. Z. & Betti, M. (2021). Gosto, importância e participação de meninas e meninos na educação física no ensino médio. Educación Física y Ciencia, 23(1), e158. https://doi.org/10.24215/23142561e158
Standal, Ø. F., Aaring, V. F. & Kirk, D. (2023). Exploring pedagogies of embodiment in physical education teacher education. Physical Education and Sport Pedagogy, 1-11. https://doi.org/10.1080/17408989.2023.2260398
Xiang, P., McBride, R. E., Lin, S., Gao, Z. & Francis, X. (2018). Students’ Gender Stereotypes about Running in Schools. The Journal of Experimental Education, 86(2), 233–246. https://doi-org.ez21.periodicos.capes.gov.br/10.1080/00220973.2016.1277335
Young, I. M. (1980). Throwing like a girl: A phenomenology of feminine body comportment motility and spatiality. Human studies, 3(1), 137-156. https://link.springer.com/article/10.1007/BF0233180