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<journal-title specific-use="original" xml:lang="es">Educación Física y Ciencia</journal-title>
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<publisher-name>Universidad Nacional de La Plata</publisher-name>
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<subject>Artículos</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Educação Corporal: uma análise comparada entre a Colômbia e a Argentina</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">Body  Education:  a comparative analysis between Colombia and Argentina</trans-title>
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<institution content-type="original">Programa  de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do  Espírito-Santo (Brasil)</institution>
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<season>January-March</season>
<year>2018</year>
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<title>Resumo</title>
<p> Este  artigo oferece uma descrição de duas perspectivas críticas da  tradição da Educação Física na América do Sul. Ambas, apesar de  situadas em países diferentes (Colômbia e Argentina), utilizam a  mesma expressão: Educação Corporal. Em termos metodológicos,  realiza-se uma revisão sistemática dos escritos de dois representes  dessas correntes: Luz Elena Gallo e Ricardo Crisorio. Após a  descrição, evidencia as afinidades mas, também, as diferenças das  propostas em análise, ocasião, além disso, para dirigir algumas  problematizações sobre elas.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p> This  paper describes two critical perspectives on the Physical Education  tradition in South America. Both perspectives, although located in  different countries (Colombia and Argentina), use the same  expression: Body Education. In methodological terms, literature  review was conducted on the works by two representative authors of  the aforementioned theoretical frameworks: Luz Elena Gallo and  Ricardo Crisorio. After describing these perspectives, this paper  highlights the similarities and differences between the proposals  under analysis and outlines some problematizations regarding both  perspectives.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Educação Corporal</kwd>
<kwd>Educação Física</kwd>
<kwd>Colômbia</kwd>
<kwd>Argentina</kwd>
<kwd>Corpo</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Body Education</kwd>
<kwd>Physical Education</kwd>
<kwd>Colombia</kwd>
<kwd>Argentina</kwd>
<kwd>Body</kwd>
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		<sec>
            <title>Introdução</title>
			
			
		<p>Este  artigo está inserido no contexto de uma investigação que objetiva  discutir, de um ponto de vista comparado com o Brasil, movimentos de  crítica e renovação da Educação Física em três países da  América do Sul: Argentina, Colômbia e Uruguai.<xref ref-type="fn" rid="fn10">1</xref> A pesquisa, por sua vez, soma-se aos esforços empreendidos por  outros colegas no sentido de conhecer e, algumas vezes, comparar,  aspectos diversos da disciplina Educação Física no contexto  latino-americano (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref4">Bracht &amp; Crisorio, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref39">Silva &amp; Bedoya,  2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref40">Silva &amp; Bedoya, 2017</xref>).</p>
<p> Mais  especificamente, este material reflete sobre duas perspectivas  teóricas que se apresentam como alternativa à tradição da  Educação Física. Ambas, apesar de situadas em dois países  (Colômbia e Argentina), respondem pelo mesmo nome: Educação  Corporal. A proposta do artigo é cotejar, sem situá-las em relação  ao Brasil, os desenvolvimentos teóricos dessas duas “correntes”  em seus lugares de origem. Para tanto, vamos tomar em revisão os  escritos de dois importantes representantes da Educação Corporal:  Luz Elena Gallo (Colômbia) e Ricardo Luis Crisorio (Argentina),  porém não ficaremos restritos somente ao que eles escreveram. A  estratégia foi privilegiar suas produções considerando a  relevância de Gallo e Crisorio no desenvolvimento das propostas.</p>
<p> Organizamos  a análise de modo descrever, nos tópicos iniciais, algumas  características da Educação Corporal na Colômbia e na Argentina.  Nas considerações finais, realizamos o exercício de comparação  das duas vertentes, oportunidade, também, para dirigir a elas nossas  próprias dúvidas e/ou problematizações.</p>
</sec>
	<sec>
<title>A  Educação Corporal na Colômbia</title>
<p>O  conceito de Educação Corporal é desenvolvido na Colômbia,  principalmente, desde o grupo de pesquisa<italic> Estudios  en Educación Corporal</italic>,  coordenado pela professora Luz Elena Gallo, no âmbito do <italic>Instituto  Universitário de Educación Física da Universidad de Antioquia</italic>.  Essa perspectiva tem alcançado, no país andino, um espaço cada vez  mais reconhecido, sobretudo graças à considerável produção  acadêmica disponível sobre o tema, ao reconhecimento do grupo de  pesquisa em questão e a presença da corrente no âmbito da  pós-graduação.<xref ref-type="fn" rid="fn11">2</xref>
</p>
<p> O  grupo apresenta três linhas de pesquisa:  “Cuerpo-educación-experiencia, Prácticas Corporales en clave  (trans)formativa y Subjetividades estéticas y políticas”. A  preocupação central dos pesquisadores ali reunidos é a relação  entre corpo e educação. Desse modo, “Los problemas de los que se  ocupa el grupo están relacionados con las maneras en que las  instituciones educativas se ocupan de la educación del cuerpo en el  mundo contemporáneo, de las pedagogías de la educación corporal”  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref31">García, 2012</xref>, s. p). Para desenvolver esse tema, seus integrantes  se ampararam em discursos provenientes da História, Sociologia,  Arte, Filosofia e Educação, usando, ao mesmo tempo, as seguintes  tendências teóricas: a fenomenologia, a antropologia pedagógica,  as filosofias da diferença, as teorias da formação em perspectiva  filosófica, a experiência estética e a educação como  experiência.</p>
<p> <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref30">García  e Correa (2011, p. 96)</xref> expõem que o conceito de Educação Corporal  corresponde ao anseio de pensar diferente o significado pedagógico  do corpo na educação, especialmente quando se constata que o  discurso pedagógico tem se preocupado pouco por tematizá-lo e a  Educação Física, como matéria escolar, tem se ocupado dele sem,  contudo, dar-lhe uma significação pedagógica adequada. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref23">Gallo  (2010, p. 303)</xref>, nessas circunstâncias, explica que a ideia do  corporal na expressão Educação Corporal faz alusão à necessidade  de pensar um corpo indivisível, tarefa não cumprida pela Educação  Física, que vem </p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  tematizado el cuerpo desde una visión predominantemente naturalista,  entendiéndolo fundamentalmente como res extensa, como  cuerpo objeto con una visión simplificadora del 'cuerpo máquina' o  del procedimiento anatómico y fisiológico del cuerpo en términos  de organicidad, instrumentalización, cosificación, prescripción,  entrenamiento, desarrollo, optimizacióny disciplinamiento. De ahí  que la Educación Física tome como punto de apoyo imágenes de  hombre de la Antropología dualista.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Assim,  a Educação Física tem se esquecido do corpo sensível, expressivo,  gestual, artístico, criador e criativo em favor de sua versão como  “máquina”, “objeto”. Com base nessas denúncias, a autora  propõe um “giro antropológico-fenomenológico” para a  disciplina, fundamentada no argumento de que “El cuerpo, al no ser  un objeto, es entonces fenoménico, viviente, actuante [...]”  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref21">Gallo, 2007, p. 71</xref>).</p>
<p>
<disp-quote>
<p>En  perspectiva fenomenológica, mi mano puede tocar cosas y también  puede ser tocada, por ello tocar no es sólo la acción del sentido  del tacto, sino la tactilidad de todo sentido; mis ojos con los que  puedo ver cosas, son a su vez visibles; mis oídos con los que puedo  escuchar, a la vez, me permiten escucharme. Por los sentidos es  posible experimentar las cosas al tocarlas, escucharlas, verlas,  paladearlas; en la percepción hay una reciprocidad, el hecho de  tocar es también sentirse tocado y ver es también sentirse visto  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref21">Gallo, 2007, p. 71</xref>). </p>
</disp-quote>
</p>
<p>Influenciado  pela fenomenologia, especialmente a de Merleau-Ponty, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref20">Gallo (</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref20">2006, p.  57</xref>) opera com a ideia de que o corpo é uma unidade de significação,  argumentando que a </p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  la  única manera de conocer el cuerpo es vivirlo, experimentarlo y la  experiencia que tenemos del cuerpo propio se distiende hacia un mundo  significativo. Las percepciones hacen parte de la ‘corriente’ de  las vivencias, de hecho, son expresiones o relaciones de sentido que  establece mi cuerpo en el mundo.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Também  da fenomenologia se assume que a percepção é uma experiência  pré-reflexiva, pois antes do “eu penso”... eu “percebo”.  Nesse contexto, as práticas corporais são portadores de sentido, já  que o movimento é, antes de tudo, simbologia corporal, modo de dizer  do corpo próprio que nos comunica algo. A gestualidade nos diz de um  corpo que simboliza, expressa, informa, já que “[...] es  revelador de un cierto lenguaje del cuerpo que puede producir un  sentido, un significado, y además de eso, provocar sensaciones”  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref25">Gallo, 2012, p. 835</xref>). Assim, “[...] la danza, el juego, el caminar  y el gesto son lenguajes que se manifiestan de una manera corporal y  en perspectiva educativa nos ofrece sentidos a la experiencia de  movernos, sentidos que no se reducen a la explicación, justificación  o al benefício” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref25">Gallo, 2012, p. 840</xref>).</p>
<p> Com  base em outros autores da filosofia – como Schiller, Rousseau,  Spinoza, Nietzsche, Foucault, Deleuze – <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo e García (2011)</xref>  postulam as dimensões ontológica, estética, histórica, poética e  lúdica da Educação Corporal. A ontológica é entendida como  “[...] un saber del hombre sobre sí mismo, de un hombre que da  forma a su vida” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p. 296-297</xref>). Aqui, as  autoras expõem a potência de gerar um espaço para a experiência  na aula. A dimensão estética faz alusão à sensibilidade.<xref ref-type="fn" rid="fn12">3</xref> “La sensibilidad, en términos educativos, pasa por prácticas para  el cuidado de sí, por los modos de percibir lo que nos afecta em  términos de uma razón-sensible, por aquello que es capaz de emanar  el cuerpo para crear” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p. 296-297</xref>). A  dimensão histórica da Educação Corporal “[...] revelará las  descontinuidades y bajezas de los sucesos que constituyeron al  cuerpo” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p. 296-297</xref>). A dimensão  poética, entende que temos mais que um corpo orgânico; temos-somos  um corpo que faz experiência, um corpo poético. “La Educación  Corporal nos abre unas formas de pensar el cuerpo poético como  educación de la sensibilidade, educación del gusto, educación em  las prácticas de sí y educación sensorial” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García,  2011, p. 296-297</xref>). Finalmente, a dimensão lúdica, que é vinculada  ao jogo como possibilidade de criação de si. “El juego es ante  todo uma experiência corporal y es uma forma como nosotros nos  encontramos ante las cosas, como nos metamorfoseamos, nos deslocamos,  nos contradecimos, aspectos que estimulan la estética de nuestra  propia existencia” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p. 296-297</xref>). </p>
<p> Ao  mesmo tempo em que propõem essas dimensões, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo e García (2011,  p. 297)</xref> advogam também alguns sentidos para a Educação Corporal: </p>
<p>
<disp-quote>
<p>Pensar  la formación humana como práctica estética, otorgarle un valor  superior al cuerpo en la Educación, la educación en el cuidado de  sí y de los otros, em el cuerpo como ‘gran razon’, em los  sentidos COM sentido, em um devenir sensible, em las cosas próximas,  en el sentimento y por médio del sentimento, en las afecciones, en  enseñar a pensar en la fuerza de la voluntad.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>O  tema experiência é bastante presente na Educação Corporal. A esse  respeito explicam <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo e García (2011, p. 298-299)</xref>: “Si  entendemos la Educación como experiencia, estamos también alejados  de um modelo de hombre que señala la idea de ser humano que se debe  formar, de aquel hombre que se hace a partir de los presupuestos de  uma educación normatizada y positiva”. Uma educação como  experiência é uma “educación negativa”, conceito que se  vincula à “figura del acontecimento”, que faz alusão a uma  educação performativa, que transforma, que valora a diferença, que  se abre ao inesperado e que permite que “algo nos pase” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref24">Gallo,  2011</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref27"> 2017</xref>). Em suma, uma educação assim concebida necessita de  “[...] algunos  encuentros con el caos que está afuera de lo discursivo, necesita  abrirse a las posibilidades que hay en la vida misma, debe permitir  encuentros, desplazamientos un acto del devenir constante, de la  apertura a los cambios, a las transformaciones” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref28">Gallo &amp;  Martínez, 2015, p. 621</xref>). Nessas  circunstâncias, o saber que mobiliza a Educação Corporal “[...]  será perspectivista, es decir, interpretación de interpretaciones.  Instaurará princípios, contenidos, prácticas y formas de  desarrollarlos no solo con base en el conocimiento, sino, también  con base en la experiência” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref5">Correa, 2011, p. 283</xref>).  O sujeito que  se apropria dessa perspectiva é o da experiência, que é </p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  en potencia, abierto, vulnerable, sensible, expuesto, que se deja  decir, afectar, que se detiene a pensar, a mirar, a escuchar, que se  demora en el detalle, que suspende la opinión, suspende el  automatismo, cultiva la atención, la escucha, la reflexión y la  delicadeza, abre los ojos y los oídos. Y, sobre todo, da sentido a  lo que somos y a lo que nos passa (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p.  301</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Para  Gallo (2007), a valorização da experiência permite ver como a  própria pessoa experimenta sua corporeidade; assim, as narrativas  corporais autobiográficas assumem uma grande importância no âmbito  da Educação Corporal, entendidas como</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  un retorno al cuerpo desde la palabra y el lenguaje, pues la palabra  es solo una forma del cuerpo. Como para la Educación Corporal no hay  primacía de una facultad sobre otra, el pensamiento, la razón y la  palabra, exponen al cuerpo, dicen del cuerpo precisamente porque la  palabra lleva adherido lo intelectivo y lo sensible. La palavra es  algo así como lo outro del cuerpo que hace cuerpo. Por medio de la  narrativa, el logos se contituye como cuerpo y com ello exaltamos sus  linguajes, o, dicho de outro modo, le damos la palabra al cuerpo y  queremos escucharlo mediante sus trazos narrativos porque el cuerpo  es el que toma la palabra (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref29">Gallo &amp; García, 2011, p. 301</xref>). </p>
</disp-quote>
</p>
<p>Segundo  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref28">Gallo e Martínez (2015, p. 618)</xref>, à Educação Corporal “[...]  interesa cómo esta potencia del cuerpo posee un poder independiente  de toda significación o intención preestabelecida”. Nesse  contexto, a perspectiva em análise confere centralidade à arte por  sua capacidade de estimular a criação (por meio) do corpo. Afirma  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref27">Gallo (2017)</xref> que uma Educação Corporal assim concebida precisa mais  de artistas que de professores ou, se preferirem, de “professores  artistas”, </p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  aquellos que no conozcan límites y que siempre vean en el otro una  posibilidad de crear, con la fuerza para llevarlo al límite donde se  encuentre con una nueva posibilidad, con la capacidad de moverse  rizomáticamente por el estrato de los contenidos y las estructuras  para generar nuevos encuentros; pero sobre todo um artista que se  desacomode con sus obras, y que su mayor expresión artística sea su  vida misma (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref28">Gallo &amp; Martínez, 2015, p. 625</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  Educação Corporal, em sua versão colombiana, procura atrelar,  então, a experiência formativa à experiência estética (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref26">Gallo,  2012b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref27">2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref28">Gallo &amp; Martínez, 2015</xref>). Assim, a aula é um espaço  de vida e criação que estimula o hedonismo, o desejo, a imaginação,  o sensível, a paixão etc. Trata-se, portanto, de uma formação  estética a partir das forças que atravessam o corpo, que é  definido por potências e intensidades que lhe permitem expressar uma  linguagem da ordem dos afetos.</p>
<p> Na  sequência, após a descrição aqui oferecida, faremos exercício  semelhante em relação à perspectiva da Educação Corporal na  Argentina.</p>
</sec>
<sec>
<title>A  Educação Corporal na Argentina</title>
<p>No  caso argentino, a proposta da Educação Corporal está associada à  Universidade Nacional de La Plata (UNLP). Segundo  esclarece <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref17">Escudero (2011)</xref>, foi no <italic>Grupo  de Estudios en Educación Corporal</italic>,  coordenado por Ricardo Crisorio e Marcelo Giles e vinculado ao <italic>Centro  Interdisciplinario Cuerpo, Educación y Sociedad</italic>,  que se desenvolveu nos últimos anos, na UNLP, a perspectiva da  Educação Corporal. Conforme,  aliás, o próprio <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio (2013)</xref>, a primeira tentativa de emprego  da expressão como conceito técnico se deu em 1997, quando se  propôs, sem êxito, o termo para nomear as carreiras de formação  de professores de Educação Física naquela universidade. A segunda  foi em 2001, quando foi aprovada, pelo Conselho Acadêmico da  Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação e pelo Conselho  Superior da UNLP a <italic>Maestría en  Educación Corporal</italic>,  programa em funcionamento desde aquela época. </p>
<p> A  opção pela nomenclatura, ainda de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref17">Escudero (2011)</xref>, tem  uma conotação política, no sentido que objetiva contrapor-se à  Educação Física. Além disso, visa a incluir, sob a nova  denominação, toda uma série de práticas que atravessam o corpo e  que não ficam circunscritas, apenas, ao universo da disciplina. A  mudança semântica se justificaria pois, segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref8">Crisorio (2010</xref>,  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref9">2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">2013)</xref>, a Educação Física tem problematizado a vida dos seres  humanos em conexão imediata com a natureza. Nessas circunstâncias,  o corpo tem sido representado como morto (<italic>körper</italic>),  objeto de manipulação das diversas ciências que por ele se  interessam, como a Fisiologia e a Anatomia. Essa herança se expressa  no adjetivo “física”, que especifica sua educação. Conforme as  palavras de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio (2013, p. 10)</xref>,</p>
<p>
<disp-quote>
<p>El  discurso que constituye y sustenta a la Educación Corporal desplaza  el territorio tradicional y los métodos de la Educación Física,  excluyendo de los objetos que procura conocer o investigar en primer  lugar el cuerpo <italic>natural</italic>. […] La  Educación Corporal no niega el cuerpo sustancial, extenso, que la  fisiología define en su objeto. Pero lo entiende como una  construcción particular de una disciplina particular, producida con  las herramientas generales de la ciencia moderna, y rehúsa el legado  de ese cuerpo que el siglo XIX hizo a la Educación Física.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Esse  legado a  que <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio (2013)</xref> se refere é compreendido no seio daquilo que  Michel Foucault, referência nevrálgica no âmbito dos estudos da  Educação Corporal, chamou de biopolítica, cujo objeto é o  corpo-espécie, o corpo-vivente, suporte dos processos biológicos  para a inserção controlada dos corpos no aparato produtivo,  condicionando a população aos processos econômicos do  desenvolvimento do capitalismo. Para ele (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref7">2003</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref12">2015a</xref>), o advento da  Educação Física, no século XIX, é consequência desse processo de estatização da vida biologicamente considerada, que fez  da vida  nua,  para empregar o conceito agambiano,<xref ref-type="fn" rid="fn13">4</xref> o objeto supremo da política. Esse discurso se renova ao longo do  século XX, por exemplo, no conceito da “atividade física e  saúde", que segue considerando o corpo na sua dimensão  “natural” e como dispositivo biopolítico de controle da  população. </p>
<p> A  despedida dessa tradição passa, assim, não apenas pelo abandono da  expressão Educação Física, mas torna imperiosa a necessidade de  um dispositivo para pensar o corpo e sua educação de forma que  “transcenda”, por assim dizer, o paradigma (biopolítico) que  tem, historicamente, caracterizado a tradição da disciplina. Para  esse discurso renovado, adjetivado de Educação Corporal,</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  el cuerpo orgánico natural está perdido. En tanto unidad real,  sustancial y carente de alteridad, es el producto del discurso  occidental respecto de él, igual que en cuanto superficie o volumen  cerrados que definen un interior y un exterior (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref8">cf. Crisorio, 2010: <italic>cap.  3</italic>
</xref>).  Por todo eso, para la educación corporal, lejos  de pertenecer a la naturaleza, el cuerpo es de la cultura y tiene una  historia en la que hay que indagar, no para saber qué o cómo ha  sido sino para elaborar un concepto de cuerpo nuevo más que un nuevo  concepto de cuerpo (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio,  2013, p. 13</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>O  corpo da Educação Corporal, portanto, não é físico nem  biológico. A “defisicalização” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio, 2013</xref>) nela  pressuposta realiza uma inflexão em direção à cultura,  inscrevendo o corpo na ordem do “simbólico” (Crisorio, 2013).  Crisorio, inspirado em Lacan, afirma que o corpo é um “regalo da  linguagem” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref8">Crisorio, 2010</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref9">2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref15">2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref16">Crisorio &amp; Escudero,  2012</xref>).</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Ese  cuerpo que creen suyo es un ‘regalo del lenguaje’, dice Lacan  (2002, p. 280), y no dice un disparate pues, en efecto, nada sino el  lenguaje otorga al cuerpo intuitivo, sensible (intuido, sentido), su  carácter de cuerpo, identifica sus partes, las articula y relaciona  entre ellas, y lo otorga así al ser que en él se constituye y que  no sabe que si no pudiera hablar no se constituiría un cuerpo para  él (los animales no tienen cuerpo, son cuerpo, u organismo)  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref15">Crisorio, 2017, p. 184</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>O  corpo próprio, portanto, é uma construção simbólica dada no  registro das práticas sociais e culturais. Isso não significa,  todavia, que ele careça de materialidade, pois “[…] su  constitución como objeto evidencia los efectos de verdad que los  discursos y las prácticas tienen en el cuerpo y por tanto la  efectividad con la que el mismo opera en la realidad social”  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref16">Crisorio &amp; Escudero, 2012, p. 2</xref>).</p>
<p> As  “coisas”, afirmou <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref12">Crisorio (2015a)</xref>, não são antes que as  palavras, ou seja, o corpo não é antes dos enunciados que dirigimos  a ele. Segundo essa perspectiva, </p>
<p>
<disp-quote>
<p>El  conocimiento como construcción alcanza al cuerpo y al movimiento,  construyéndolos y dotándolos de significación, lo que hace que  todo estudio del cuerpo y del movimento deba incluir el estudio de  las significaciones que lo marcan aún desde antes de constituirse en  cuerpo y em movimiento, significaciones que, a su vez, forman parte  de la red de significaciones que constituye la cultura de una  sociedad dada en un momento dado. Es obvio que esta problemática  toca de cerca a la educación física y a toda la educación corporal  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref13">Crisorio, 2015b</xref>).</p>
<p> Volvamos  ahora al cuerpo para afirmar que el cuerpo se construye. Según esto,  el cuerpo es secundario: el cuerpo pertenece a la realidad en tanto,  desde Freud, la realidade se construye; es decir, no se nace con un  cuerpo. Existe un organismo, qué duda cabe, como existe un sistema  nervioso, quién lo dudaría, y huesos, músculos y articulaciones.  Pero nada de eso es el cuerpo, el cuerpo no pertenece a lo real. Debo  decir, incluso, que ni siquiera podemos afirmar que el organismo, el  sistema nervioso, los huesos, músculos y articulaciones pertenezcan  a lo real estrictamente, aunque no pueda profundizar aquí ese  análisis. Entre estas realidades y lo real media la actividad  construccionista del conocimiento humano: lo real es, en rigor,  incognoscible (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref6">Crisorio, 1998, p. 5</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref6">Crisorio  (1998</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref9">2011)</xref> é crítico da compreensão pela qual é possível um  “[…] conocimiento  directo de un cuerpo real a partir de la pura experiencia y el puro  ejercicio perceptivo” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref13">Crisorio, 2015b</xref>). Não  crê, portanto, em sua “[…] percepción  inmediata, es decir, sin la mediación de instrumentos externos pero,  fundamentalmente, sin la intercesión de la palavra” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref9">Crisorio,  2011, p. 91</xref>). Discorda, portanto, da ilusão de um “corpo sem  palavras”, de uma “linguagem corporal” distinta da linguagem ou  de mecanismos pré-linguísticos de aprendizagem (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref6">Crisorio, 1998</xref>,  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref11">2014</xref>) que o tornaria portador de uma experiência originária, cujo  sentido está na “coisa”, de modo que bastaria lê-la para  expressá-la (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref12">Crisorio, 2015a</xref>). A crítica de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref15">Crisorio (2017)</xref> a esse  respeito dirige-se à crença fenomenológica em que há uma  “experiência muda de um sentido mudo”. Segue <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref15">Crisorio (2017, p.  184)</xref> afirmando que</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  empeñados en encontrar la verdad más allá del orden simbólico, se  proponen como objetivo lo que suponen más allá del lenguaje, en  este caso el cuerpo (en cuanto poseedor de una verdad que el lenguaje  no puede formular). Por cierto, a la afirmación de Merleau-Ponty  ‘soy mi cuerpo’ (1993, p. 167) cabe preguntarle ¿quién dice  esto, quién lo afirma?</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  linguagem, no espectro da Educação Corporal, é entendida como  ação, como prática (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref6">Crisorio, 1998</xref>), cujo sentido não se confunde  com intervenção pedagógica ou didática, “[...] sino como  dominio de análisis, como el conjunto de los modos de hacer más o  menos regulados, más o menos reflexionados, más o menos  intencionados” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref11">Crisorio, 2014, p. 344</xref>) que configuram a  experiência e o pensamento.<xref ref-type="fn" rid="fn14">5</xref> É por isso que <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref10">Crisorio (2013)</xref> entende que o objeto de investigação  e de ensino da Educação Corporal é o “corpo da ação”, quer  dizer, as práticas entendidas como sistemas de ação que tomam por  objeto o corpo e querem fazer, pensar ou dizer algo com ele. Em  outras palavras, aquelas formas racionalizadas e regulares de  comportamento que constituem o corpo (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref17">Escudero, 2011</xref>). Daí, também,  a opção pela expressão “prática corporal” para caracterizar  “[...] las prácticas históricas, por ende políticas, que toman  por <italic>objeto</italic> al  cuerpo y no se considera equivalente de actividades físicas o de  movimiento humano” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref16">Crisorio &amp; Escudero, 2012, p. 3</xref>).</p>
<p> Como  ensinar 	as práticas corporais assim compreendidas? Sem pretender  oferecer uma “moral do maestro”, um “dever ser” ou, então,  um “manual de passos” a seguir, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref16">Crisorio e Escudero (2012, p.  6-7)</xref> creem que é necessário explicitar algumas considerações a  respeito de “como conduzir” no âmbito dessa aposta  teórico-política. Assim,</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  en el registro de la educación del cuerpo y en el marco de la  propuesta de una educación corporal tenemos que pensar dos elementos  para arriesgar uma <italic>sustancia  ética</italic>,  por un lado el hecho de que la educación corporal esta orientada a  la formación de formadores y que el núcleo fuerte de la educación  corporal es proponer un nuevo cuerpo a partir de su inclusión en el  orden simbólico. Creemos que la apuesta de particularizar al sujeto  y universalizar al contenido opera como marco en el cual oferecer <italic>modos  de sujeción</italic>,  mostrando como formador el modo elegido (enseñar cosas y saberes de  modo tal que enseñen formas de pensar y de aproximarse a las cosas y  los saberes) y que el pensamiento es una forma posible y necesaria  para construir el trabajo  ético,  el pensamento como experiencia y como ejercicio de la educación del  cuerpo.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Em  outro texto, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref13">Crisorio (2015b)</xref>, e mesmo utilizando a expressão  Educação Física, conclui que essa substância ética implica uma  formação que “prepare para a experiência”, quer dizer, que  instrumentalize os educadores corporais para elaborar suas  experiências, sejam de investigação, sejam de exercício  profissional. Portanto, uma teoria da prática da Educação Física  deve recuperar a experiência corporal-educativa, explicá-la e  comunicá-la, refletindo sobre o campo das práticas corporais  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref7">Crisorio, 2003</xref>). Nessa direção, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref7">Crisorio (2003, p. 52)</xref> conclui que  uma teoria assim adjetivada, ainda que precise liberar-se da  alienação que uma visão tradicional de ciência tem submetido a  Educação Física, “[...] deve fazer aderindo à forma científica  de explicar”, cuja característica, continua <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref7">Crisorio (2003)</xref>, é  deixar sempre aberto e incompleto seu programa explicativo. Nessa  direção,</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  habrá que fundar lo que se dice en algo más que en la creencia, la  convicción o el gusto de cada uno, o en la reputada evidencia  científica que nadie vio (porque la ciencia trabaja con teorías, no  con evidencias), analizando las condiciones de producción de las  distintas teorías, su coherencia lógica, su pertinencia al campo,  debatiendo ‘con las armas de la ciencia’, como quería Bourdieu  (única forma de hacer progresar la ciencia en un campo dado, por  caso el nuestro) y ateniéndonos a los resultados del trabajo  riguroso, más que a las altisonantes voces de supuestos sabios o de  audaces inovadores (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref13">Crisorio, 2015b, p. 38</xref>).</p>
</disp-quote>
</p>
</sec>
<sec>
<title>Considerações  finais</title>
<p>Descrevemos,  nos tópicos anteriores, algumas características da Educação  Corporal na Colômbia e na Argentina. Doravante, faremos o exercício  de compará-las, identificando suas afinidades mas, também, suas  diferenças. Será ocasião, além disso, para endereçar nossas  próprias problematizações às abordagens em análise.</p>
<p> Um  primeiro aspecto a destacar é o fato de ambas as perspectivas se  colocarem como uma alternativa à Educação Física, motivadas pelo  fato de a disciplina, ao longo de sua história, ter fomentado uma  forma de organização da corporeidade que disciplinou e subjugou o  corpo, concebendo-o como um objeto, como <italic>res  extensa</italic>,  como materialidade morta etc. A Educação Corporal, por seu turno,  institui outro modo de pensar o corpo e sua educação, propondo, em  vez do corpo físico e natural, outras referências para se viver,  experimentar e pensar a corporalidade. Trata-se, assim, de duas  abordagens que levam a uma reviravolta no estatuto ontológico e  epistemológico do corpo. Pode-se questionar, todavia, se essa  redescoberta do corpo já não estava em curso na paisagem cognitiva  da própria Educação Física, considerando que o discurso dessa  disciplina, nos últimos anos, já denunciou “o que (não)podia o  corpo” no seio de sua tradição, ao mesmo tempo em que surgiram  propostas, no interior do campo, no sentido de abordá-lo de uma  forma não fisicalista. Se uma “virada corporalista” aconteceu no  âmbito da própria Educação Física, qual a razão para  silenciar-se a ela e propor sua substituição pela Educação  Corporal?<xref ref-type="fn" rid="fn15">6</xref>
</p>
<p> Outro  aspecto que necessita de maior esclarecimento é o “alcance” da  Educação Corporal. A intenção é que ela assuma o lugar da  Educação Física na escola? Quais práticas não circunscritas ao  universo da Educação Física interessam à Educação Corporal?  Trata-se da criação de uma nova disciplina do conhecimento, que  substitua a Educação Física como conceito que organiza um campo  acadêmico? O propósito é que as formações de professores de  Educação Física assumam essa denominação? Qual o lugar dos  saberes biodinâmicos (Fisiologia, Anatomia etc.) em seu âmbito?  Como ela se relaciona com os saberes das Humanidades? Qual a sua  episteme, afinal? Também carece de melhor delimitação o “universo”  das práticas corporais que podem ser englobadas pelo termo Educação  Corporal, pois tudo pode ser educação do corpo caso não se  estabeleça a que dimensão da cultura corresponde o espectro da  Educação Corporal. O esporte tradicional compõe essas práticas?  Se sim, qual o sentido do seu ensino? As práticas corporais  integrativas, com sua visão de corpo não racionalizada, integram o  rol de saberes a serem ensinados pela Educação Corporal? </p>
<p> Outro  ponto profícuo de comparação diz respeito às referencias teóricas  assumidas pelos autores. O caso que mais “salta aos olhos” é o  de Foucault, cujos conceitos (biopolítica, disciplina,  acontecimento, práticas, estética da existência, cuidado de si,  ética etc.) são recorrentes nos artigos de Gallo e Crisorio. Por  sua vez, Deleuze e Nietzsche, nomes associados à chamada “filosofia  da diferença”, são encontrados nos textos de ambos mas,  sobretudo, nas de Gallo. Também Bourdieu, Lacan e Agamben são  “nomes” quase certos nos escritos de Crisorio e pouco comuns (o  que não significa dizer ausentes) nos textos de Gallo. Já  Merleau-Ponty é uma referência contumaz nos escritos de Gallo e  pouco utilizado por Crisorio. Quando comparado com a produção de  Crisorio, é notável o ecletismo teórico – nem sempre salutar –  nos artigos de Gallo, graças à presença de autores pertencentes a  tradições nem sempre coincidentes, como Rosseau, Fichte, Spinoza e  Nietzsche, passando por Husserl, Merleau-Ponty, até chegar, além do  próprio Foucault, a Deleuze. </p>
<p> O  uso de autores comuns não é suficiente, todavia, para que ambos  extraiam conclusões idênticas para a Educação Corporal. Ao  contrário, há diferenças importantes entre Gallo e Crisorio. Em  relação à colega colombiana, sua proposta resulta numa valorização  da experiência sensível, cuja aposta formativa  enfatiza uma educação em favor das emoções, paixões, afetos,  sentimentos, hedonismo, jogo, prazer, em  suma, das forças e potências imanentes ao corpo.  Defende-se, também, que a experiência formativa deve se construir à  luz da prática estética, de modo que a educação seja um  dispositivo para a reinvenção e criação de si, da vida como obra  de arte poética (do corpo poético) que é impulsionada por aquilo  que se passa no âmbito da experiência perceptiva do corpo e  que está “afuera de lo discursivo”.  Não surpreende, assim, a valorização da arte, pois seria ela a  experiência humana que melhor poderia desenvolver a compreensão da  Educação Corporal como “chave” estética. Como consequência,  também, identificamos uma crítica à educação concebida a partir  de um dever ser, de normas que impossibilitem, ao contrário,  vivenciá-la como acontecimento, como um devir plural e criativo. </p>
<p> No  caso de Crisorio, não encontramos o vocabulário de uma Educação  Corporal da ordem da sensibilidade, dos afetos, das intensidades que  constituem o corpo, sendo a experiência estética seu horizonte. A  ênfase recai na necessidade de se conceber o corpo como um  dispositivo da cultura, como um “regalo da linguagem”. De igual  maneira, também, não se defende uma experiência formativa  desprovida de um dever ser em favor do devir permanente, pois se  advoga, como vimos, a necessidade de um trabalho ético que oriente a  formação dos formadores, preparando-os para viver sua experiência  corporal na intenção de se construir um novo corpo inscrito na  ordem do simbólico. Nesse contexto, em vez da arte, são “as armas  da ciência”, quer dizer, “as formas científicas de explicar”  que deveriam conduzir o educador corporal no ensino das práticas  corporais. Em comparação com a corrente colombiana, portanto, a  Educação Corporal na Argentina é “racionalista”, em vez de se  voltar para a experiência sensível, pré-reflexiva.</p>
<p> Outro  ponto que distancia Gallo e Crisorio pode ser visto se tomarmos a  argumentação de Gallo segundo a qual o corpo é, ele próprio, uma  unidade de significação, portador de sentido, possuidor de uma  linguagem própria que nos comunica algo antes mesmo de a linguagem  tomar posse dele. É a experiência que temos do corpo próprio que  se “estende/lança” até o mundo significativo. Sua compreensão  de Educação Corporal pressupõe o que para ela se configura como  uma potência do corpo, ou seja, o fato de ele possuir sentido antes  mesmo de qualquer significação ou intenção preestabelecida (a  palavra é somente uma forma do corpo). Nos termos da Educação  Corporal defendida por Crisorio, esse potencial codificador do corpo  não é possível, já que o autor é um crítico das perspectivas  que creem que o corpo é dotado de um sentido que é aquém da  linguagem e/ou das práticas de significação a ele direcionadas.  Desconsidera, assim, a possibilidade de uma percepção ou de uma  experiência que é antes da palavra ou, então, de uma linguagem que  emanaria do próprio corpo. Se a perspectiva defendida por Gallo  considera a existência de um “corpo fenomenológico”, a de  Crisorio rechaça essa possibilidade em favor do seu caráter  discursivo. </p>
<p> A  controvérsia de Gallo e Crisorio sobre este último aspecto pode ser  lida a partir da oposição de duas posições: uma construtivista  (ou construtivismo social) e outra corporificada ou materialista  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref37">Ortega, 2008</xref>). A primeira, que se vincula à posição de Crisorio,  compreende que a materialidade do corpo é construída de modo que é  impossível um acesso natural a ele ou, então, a existência de uma  consciência pré-reflexiva. No limite, o corpo, o organismo e a  materialidade são incognoscíveis, pois são uma construção  social, um efeito do discurso.<xref ref-type="fn" rid="fn16">7</xref> A segunda visão, identificável nos escritos de Gallo nos remete a  uma dimensão material e encarnada da corporeidade como uma entidade  ativa e intencional que pressupõe uma experiência subjetiva do  corpo (fenomenológico). Objeções poderiam ser levantadas a essas  duas perspectivas, e é com elas que encerraremos o artigo.</p>
<p> Se  aprendemos com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref18">Gadamer (2007)</xref> que ser que pode ser compreendido é  linguagem, é imprescindível reconhecer, como quer Crisorio, que  nossa maneira de falar sobre o corpo é socialmente construída.  Apesar disso, não deveríamos concluir que a experiência sensorial  envolvida no fato de sermos um corpo e, sobretudo, o próprio corpo  em sua materialidade, é produto dos discursos que produzimos sobre  ele. Essa visão desencarnada da corporeidade (ou a rejeição  corporal da corporeidade que pressupõe) desconsidera um potencial de  ação do corpo que ultrapassaria sua dimensão  discursiva/construtiva. O corpo não apenas sofre ações, não é  apenas passivo<xref ref-type="fn" rid="fn17">8</xref> em relação aos discursos que o enunciam, mas toda ação é, ela  mesma, uma ação do corpo. De igual maneira, a linguagem não  deveria ser compreendida como uma atividade desencarnada, pois a fala  sobre o corpo “[...] surge a partir das estruturas corporais, ela  já é encarnada. A linguagem não fabrica o corpo, antes o corpo  molda a linguagem e as estruturas racionais que usamos para  compreender o mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref37">Ortega, 2008, p. 215</xref>). </p>
<p> De  certa forma, para citar <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref3">Bracht (2015)</xref>, o que está em questão com  essa crítica é um retorno ao  “corpo fenomenológico” com potencial de ação que não se  submete totalmente a uma determinada construção discursiva.  Recorrendo a <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref33">Gil (1997)</xref>, significa imputar ao corpo uma função  ativa ao processo de sua nomeação. Toda a nossa expressividade  gestual ou, de maneira geral, corporal, supõe articulações não  verbais que investem o corpo, libertando-o para a linguagem. É como  se o corpo precisasse se articular pré-verbalmente para possibilitar  significar pela linguagem. Trata-se de um conteúdo não linguístico  em potência de verbalização, mas ainda não significado pela  linguagem (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref1">Almeida, 2012</xref>).</p>
<p> Também  vale lembrar, contra o construtivismo social do corpo, as  advertências de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref36">Nietzsche (2001b)</xref>, para quem toda forma de  comunicação, de linguagem, portanto, é uma forma de vulgarização,  no sentido de “tornar comum”. Por mais longe que alguém leve o  conhecimento de si, nada pode ser mais incompleto do que sua imagem  da totalidade dos impulsos que o constituem. É por isso que, em  última instância, jamais responderemos à pergunta “o que pode um  corpo”, pois a consciência e a linguagem nunca conseguiriam  expressar a “somatória unitária de vivências” de que ele é  capaz (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref42">Viesenteiner,  2014</xref>).  Elas, desse modo, nada mais são do que resultado de uma dupla  abreviação<xref ref-type="fn" rid="fn18">9</xref> do que pode o corpo, sua espontaneidade. Nietzsche (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref35">2001a, p.71</xref>)  além disso, afirma que as experiências mais fundamentais não são  traduzíveis ou tagarelas, pois </p>
<p>
<disp-quote>
<p>O  que verdadeiramente nos acontece, não é eloqüente. Ainda que os  acontecimentos quisessem, não poderiam comunicar-se por si mesmos.  Carecem de palavras. Estamos acima das coisas que podemos comunicar  por meio de palavras. Em todos os discursos há algum desprezo. Ao  que parece, a linguagem não foi inventada a não ser para as coisas  medíocres, vulgares, comunicáveis. Com a linguagem, o que fala  começa a vulgarizar-se.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>No  que diz respeito à visão corporificada ou materialista,  representada, aqui, pelos textos de Gallo, ela pressupõe a  existência, para utilizar as palavras do próprio Crisorio, de uma  “experiência muda de um sentido mudo”. Assim sendo, não  sabemos, de modo satisfatório, como essa “experiência muda de um  sentido mudo” se torna compreensível por meio da linguagem. Vale,  aqui, dirigir a Gallo as perguntas que realizamos em outro  (con)texto: como  esse sentido expressivo, anterior à significação, se relaciona com  a linguagem? Qual é a osmose que aí se efetiva? <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref38">Sérgio (1987, p.  94)</xref> elabora a pergunta que nos interessa fazer a Gallo: “[...] qual  o modo de estudar o sensível (o pré-consciente, como fundo ou  horizonte de toda a reflexão) sem tematizá-lo e, por conseguinte,  sem a presença, também implícita, da cultura?”. Ele conclui  dizendo que “‘O trânsito da percepção ao conceito, da zona da  pré-constituição à da constituição, foi algo que Merleau-Ponty  jamais conseguiu explicar’” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref38">Sérgio, 1987, p. 94</xref>).  Em  suma, como ocorre a passagem da linguagem em estado nascente, como  ato instituinte e criativo, para a sua sedimentação, constituída  por significações correntes e pelas demais formas de expressão de  um dado meio sociocultural? (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref2">Almeida, Bracht &amp; Ghidetti, 2013</xref>).</p>
<p> Embora  a perspectiva de Gallo realize uma “incorporação” da linguagem,  para nós, não se trata mais de ver na “linguagem” do corpo uma  camada de sentido que se dá em uma compreensão antepredicativa de  um sujeito constituinte ou de um corpo-sujeito operador de sínteses  originárias (de onde a linguagem derivaria). Essa compreensão se  contrapõe, portanto, ao argumento de Gallo segundo o qual o corpo  possui um poder independente de toda significação ou intenção  preestabelecida. Sua independência é, por assim dizer, relativa.  Aquilo que podemos chamar de pré-verbal não surge, como tal, senão  retrospectivamente, pela ação da linguagem sobre a camada de  sentido previamente articulada. Assim, não podemos dizer que uma  massa de sentido exista antes e independente da linguagem, uma vez  que o sentido surge somente em função da relação semiótica, por  referência à linguagem que o descreve. Toda a dificuldade, comenta <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref32"> Gil (1996, p. 19)</xref>, consiste em pensar um não verbal que seja não um  pré, mas um postverbal:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>É  por retroacção e ruptura que a linguagem verbal constitui o não  verbal como ‘pré-verbal’, quer dizer como efetivamente detentor  de sentido não exprimível por signos verbais. Acabam-se assim as  velhas aporias fenomenológicas do originário antepredicativo e do  derivativo verbal: os dois são originários e derivativos ao mesmo  tempo, não há linguagem sem uma compreensão antepredicativa do  mundo, mas este é impensável sem a acção da linguagem. O não  verbal é realmente um post-pré-verbal: se o gesto corporal, por  exemplo, é capaz de exprimir, na dança, nuvens de sentido, é  porque o corpo diz, nos seus movimentos próprios, um sentido  indizível verbalmente que está ‘para aquém’ (‘pré’) da  linguagem, que se revela desse modo como anunciador da, ou apelando à  linguagem. Mas este corpo não verbal ou pré-verbal da gestualidade,  só se constitui como (e só faz) sentido porque a linguagem o (e se)  constitui com tal: só projectadas no campo lingüístico se abrem as  ‘lacunas’ de sentido dessas ‘nuvens’ corporais; e só porque  a linguagem existe como sistema de signos é que essas lacunas se  podem constituir como ‘quase-sistemas’ singulares, não verbais  (que escapam sempre ao sistema). </p>
</disp-quote>
</p>
<p>Essa  compreensão do não verbal como post-pré-verbal evitaria as aporias  de compreender o gesto corporal independente da linguagem (como um  antipredicativo puro, como a coisa em si), como se ela esgotasse todo  o seu sentido nos movimentos do corpo e em sua “simbologia”. Essa  é uma crença, salvo melhor juízo, presente nos textos de Gallo  aqui analisados.</p>
<p> De  nossa parte, todavia, agrada-nos a perspectiva de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref41">Souza (2015)</xref>, ao  recusar a posição dicotômica que vê, de um lado, o sensível como  não humano, obscuro e, de outro, o simbólico, histórico, cultural,  em suma, a palavra. Propõe, em seu lugar, um meio-termo tanto da  intuição sensível abstrata supostamente imediata, dada e  originária, quanto da apreensão e descrição linguísticas  aparentemente autonomizadas ou apenas intersubjetivamente  sancionadas, que ele denomina linguicentrismo. Sua proposta reconhece  o caráter não fundacionista e social do linguicentricismo, mas o  faz a partir da sua abertura ao mundo sensível, sem concebê-lo como  um <italic>a  priori</italic> fundante ou como uma significação corporificada. Sendo assim, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref41">Souza  defende (2015, p. 357-358)</xref>, entre as duas opções acima, a prática</p>
<p>
<disp-quote>
<p>[...]  livre e criadora sensível, poiésis, aquela de nós enquanto  atividade prática e do mundo dela resultante como artefato. Mesmo  que a linguagem verbal necessariamente acompanhe e acrescente a tal  atividade prática, vasta e desdobrada, como parte de nossos recursos  de transitar pelo mundo (mais do que como recurso para  representá-lo), seu eventual papel transformador não precisa deixar  de ser concebido como, no fim de contas, estreitamente associado à  prática humana corpórea sensível – lidadora e, mais ainda, por  si mesma relevantemente transformadora e criadora, donde poiética  [...]. Antes que a linguagem nos ofereça as metáforas  significadoras-tradutoras de uma realidade supostamente bruta, antes  que, digamos, ela mapeie humanamente uma realidade a que querem  depois nos fazer crer que nunca chegamos (ainda quando, <italic>nota  bene</italic>,  em sua maior parte <italic>feita</italic> por  nós), é a prática, logo prática poiética, criadora, que o faz  [...]. O que significa também que o mundo não é tão somente a  linguagem com que o dizemos, é, em primeiro lugar, o <italic>uso</italic> que  dele fazemos e a prática com que o discriminamos, constituímos e,  finalmente, construímos (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref41">Souza, 2015, p. 357</xref>).</p>
</disp-quote>
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<source>Estudios en Educación Corporal</source>
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<source>A imagem-nua e as pequenas percepções: estética e metafenomenologia</source>
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<source>Metamorfoses do corpo</source>
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<source>Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro</source>
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<source>O corpo incerto: corporeidade, tecnologias médicas e cultura contemporânea</source>
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<source>Para uma epistemologia da motricidade humana: prolegómenos a uma ciéncia do homen!</source>
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<source>Educación Física en América Latina: currículos y horizontes formativos.</source>
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<year>2014</year>
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<title>Notas</title>
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<label>1 </label>
<p>Projeto  	financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do  	Espírito-Santo (FAPES/Edital 04/2015) e pela Secretaria de Relações  	Internacionais da Universidade Federal do Espírito-Santo (Edital  	03/2016).</p>
</fn>
<fn id="fn11" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Não  	existem na Colômbia, até a data, cursos de Doutorado em Educação  	Física, mas há, no Curso de Doutorado em Educação da Universidad  	de Antioquia, a Línea de formación Educación, Cuerpo y  	Motricidad, oferecida pelos grupos de pesquisa <italic>Estudios  	en Educación Corporal</italic> <italic>e Cultura  	Somática</italic>,  	ambos do Instituto Universitário de Educação Física. Esses  	tematizam a “[...] educación corporal y la motricidad, en  	perspectiva pedagógica y didáctica” (Doctorado En Educación,  	2017, s. pp).</p>
</fn>
<fn id="fn12" fn-type="other">
<label>3 </label>
<p>Gallo  	(2007) afirma que a ideia de sensibilidade é primordial na  	fundamentação do conceito Educação Corporal. A autora acredita  	que a sensibilidade é uma qualidade que se cultiva no encontro com  	o outro, encontro possível no espaço pedagógico: “A la  	Educación Corporal le interesa la posibilidad de potenciar la  	sensibilidad como una puesta formativa para la constitución de la  	subjetividade [...]” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref21">Gallo, 2007, p. 84</xref>). </p>
</fn>
<fn id="fn13" fn-type="other">
<label>4 </label>
<p>Giorgio  	Agamben é outro autor importante no contexto dos estudos da  	Educação Corporal na Argentina.</p>
</fn>
<fn id="fn14" fn-type="other">
<label>5 </label>
<p>A  	influência, aqui, é claramente o conceito de prática em Foucault.  	Nele podemos encontrar três características que a definem: “[...]  	en primer lugar la ‘homogeneidad’, es decir, lo que los hombres  	hacen y la manera en que lo hacen. No las representaciones que  	tienen de sí mismos ni de las condiciones que los determinan; sino  	de ‘las formas de racionalidad que organizan las maneras de  	hacer’. En segundo término ubica a la ‘sistematicidad’, es  	decir considerar sistemáticamente el saber (las prácticas  	discursivas), el poder (las relaciones con los otros) y la ética  	(las relaciones consigo mismo). Por último la ‘generalidad’,  	aquellas cuestiones que tengan un carácter recurrente” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref19">Galak &amp;  	Rodrigues, 2007, pp. 2</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn15" fn-type="other">
<label>6 </label>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref34">Giles  	(2017, p. 59)</xref> nos dá uma pista para entender isso: “Si  	bien la Educación Físico-crítica aportó una mirada más  	cultural, su insistencia en no abandonar la denominación que le  	dieron los fundadores, hace sospechar que sus estudios mantienen  	cierto núcleo duro, una forma de pensar respecto de una relación  	individuo-medio o individuo-ambiente, propios del siglo XIX y de una  	epistemología empírico-analítica”. Faltou ao autor (2017),  	todavia, demonstrar os motivos pelos quais a Educação Física  	crítica permanece presa ao século XIX e a uma epistemologia  	empírico-analítica.</p>
</fn>
<fn id="fn16" fn-type="other">
<label>7</label>
<p>O  	comentário de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref34">Giles (2017, pp. 59)</xref>, não muito diferente do de  	<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642004_ref6">Crisorio (1998)</xref>, é cabal para expressar esse entendimento: “Yo  	invitaría a pensar que no se necessita materia para que haya  	cuerpo, que hay cuerpo cuando hay palabra, el cuerpo está hecho por  	las palabras, no por carne, huesos músculos y articulaciones”.</p>
</fn>
<fn id="fn17" fn-type="other">
<label>8 </label>
<p> Não  	deixa de ser curioso que as práticas corporais que compõem o  	ensino da Educação Corporal são  	compreendidas como sistemas de ação que tomam por objeto o corpo e  	querem fazer, pensar ou dizer algo com ele.  	Correspondem, assim, a um discurso sobre o corpo (passivo), em vez  	de uma ação pedagógica com ele.</p>
</fn>
<fn id="fn18" fn-type="other">
<label>9</label>
<p>Dupla  	porque a “tomada de consciência” já é uma economia pulsional.  	Quando comunicada, quer dizer, tornada linguagem, é um processo que  	resulta já de uma abreviação anterior (um discurso sobre alguma  	coisa que se passa no corpo).</p>
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