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<journal-title specific-use="original" xml:lang="es">Educación Física y Ciencia</journal-title>
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<publisher-name>Universidad Nacional de La Plata</publisher-name>
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<subject>Artículos</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Educação do corpo e natureza: presciçoes da revista <italic>Educação Physica</italic> (Brasil, 1932-1945)</article-title>
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<trans-title xml:lang="en">Education of the body and nature: prescriptions in the magazine <italic>Eeducaçã  Physica </italic>(Brazil,  1932-1945)</trans-title>
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<institution content-type="original">Programa  de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de  Campinas, São Paulo, Brasil</institution>
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<institution content-type="original">Instituto  Superior de Educación Física, Universidad de la República, Centro  Universitario Regional Litoral Norte, Sede Paysandú, Uruguai</institution>
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<title>Resumo</title>
<p> Os  processos de industrialização e urbanização, tanto na Europa  quanto no Brasil, apresentam-se acompanhados de um novo olhar sobre a  natureza. Antes vista como sombria e perigosa, a natureza e seus  elementos passam a ser compreendidos como benéficos para a  recuperação da saúde e da moral da população urbana,  constituindo-se inclusive como prescrições médicas contra os males  da cidade. Esse discurso de uma natureza benéfica tornou-se, cada  vez mais, interlocutor de certa vertente do discurso  médico-higienista, que passou a prescrever em seu receituário e  recomendar em seus artigos o retorno à natureza. O objetivo deste  artigo foi compreender as prescrições de práticas junto à  natureza veiculadas por esse discurso médico na Revista Educação  Physica, periódico especializado em esportes e educação física  que circulou entre 1932 e 1945. Como resultados, percebemos que quase  todos os volumes analisados da revista tratam de algum aspecto  voltado à cura, regeneração ou divertimento em meio à natureza,  seja através de exercícios físicos, da hidroterapia ou o contato  com montanhas, alcançando seus cumes. Concluímos que esta revista  corroborou com esta vertente do discurso médico higienista, ao  associar as práticas em meio à natureza a valores morais, físicos  e higiênicos que eram desejados para o fortalecimento dos corpos  brasileiros do período.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The  process of industrialization and urbanization in Europe and in Brazil  were followed by new ways of looking at nature. Once considered dark  and dangerous, nature and its elements start to be understood as  beneficial for the recovery of both the health and moral of urban  population, and were even prescribed by physicians as a means against  urban illnesses. This discourse of a beneficent nature increasingly  turned into the correspondent of certain branch of the medical  hygienist discourses that started to write articles prescribing and  recommending a return to nature. This paper aims to comprehend the  prescriptions regarding practices alongside nature disseminated by  the magazine Educação Physica, a specialized journal published in  Brazil between 1932 and 1935. As a result, we realize that almost all  the numbers we analyzed dealt with some aspect related to cure,  regeneration or amusement amidst nature, whether through physical  exercises, hydrotherapy or the contact with mountains, reaching their  peaks. We conclude that this magazine supported this branch of the  medical hygienist discourse by associating practices amidst nature to  moral, physical and hygienic values desired for the strengthening of  Brazilian bodies of that time.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Natureza</kwd>
<kwd>Educação do corpo</kwd>
<kwd>Higiene</kwd>
<kwd>Revista Educação Physica</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Nature</kwd>
<kwd>Education of the body</kwd>
<kwd>Hygiene</kwd>
<kwd>Revista Educação Physica</kwd>
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		<sec>
            <title>1  INTRODUÇÃO</title>
			
			
		<p>O  início dos processos de industrialização e urbanização da Europa  entre os séculos XVIII e XIX marca o advento de novos olhares para a  natureza. Embora uma mudança na sensibilidade com relação à  natureza e seus elementos como a água, o clima e as montanhas já  começasse a se operar no início do século XVII, com a emergência  de uma vontade de desfrutar do espetáculo da natureza, das paisagens  que exercem um novo fascínio incentivado pelos quadros e pela  literatura romântica, ela somente se acentuaria, de certa forma, com  o crescente galopar da industrialização que intensifica cada vez  mais as fronteiras entre a natureza e a vida urbana, especialmente  visível pela separação entre campo e cidade: há uma crescente  repugnância pela aparência física dos aglomerados urbanos <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref54">(Thomas,  1996)</xref>.</p>
<p>O  crescimento caótico e rápido das cidades exacerba as devassidões  contidas em seu interior: é crescente o mau cheiro, o esgoto, a  mortalidade, a aglomeração de pessoas nos passeios e nos bairros.  De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref15">Foucault (2006)</xref> inúmeros aspectos da malha urbana  deveriam ser melhorados para que a cidade se tornasse um ambiente  menos insalubre e perigoso à população; dever-se-ia analisar os  locais de acúmulo do que pudesse causar doenças ou epidemias,  controlar a circulação do ar, das águas e mesmo das pessoas e  organizar aquilo que deveria ser distribuído, como a água encanada  e o esgoto. Nasce, assim, a necessidade de uma moral higiênica em  que o médico se torna o responsável por pensar e ordenar a vida na  cidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref13">Faure, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref15">Foucault, 2006</xref>).</p>
<p>Uma  das vertentes deste discurso higiênico adota a natureza como a exata  contradição aos malefícios urbanos: o campo é visto como um local  moralmente mais benéfico do que a cidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref54">Thomas, 1996</xref>). Inspirada  pela nova sensibilidade surgida a partir da literatura e das artes,  essa medicina incentiva a experimentação das sensações  proporcionadas por um local distante das clausuras, dos vícios, da  sujeira. Entrar em contato com a natureza e seus elementos aos poucos  passa a ser uma prática atestada pelos médicos como proveitosa e  necessária à vida urbana (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref39">Rauch, 2001</xref>).</p>
<p>Os  males urbanos que assolavam as cidades europeias chegaram ao Brasil  tardiamente, já que o aumento populacional nas cidades se deu apenas  na passagem do século XIX para o XX. Em cidades maiores, como São  Paulo, a chegada dos imigrantes e de habitantes oriundos da zona  rural favoreceu a consolidação do processo de industrialização e  possibilitou que a cidade tomasse ares de um centro urbano, o que,  por sua vez, atraía ainda mais moradores. </p>
<p>Os  choques culturais e a percepção das diferenças tornaram-se fatores  relevantes com esta nova confecção da malha urbana, e nem sempre  eram relações fluidas. Para <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref1">Alvim (1998)</xref> a estes confrontos  culturais somava-se o que poderíamos chamar de um “choque  higiênico”, uma vez que os hábitos de asseio e cuidados pessoais  daqueles que chegavam à cidade se diferenciavam visivelmente  daqueles que já viviam naquele meio.</p>
<p>Estas  relações contribuíram para o advento de novas preocupações,  especialmente no que diz respeito aos aspectos sanitários (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref50">Souza,  2011</xref>). Neste mesmo período<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>,  o higienismo chega ao Brasil mediante reinterpretações e  reapropriações para que fossem guardadas as devidas proporções  entre aquilo que era herdado do higienismo europeu e o que era  realmente urgente e necessário no seio da saúde coletiva da  população brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref19">Gois Junior, 2003</xref>). </p>
<p>Não  se pode afirmar que o ideário médico higienista brasileiro era  homogêneo em suas concepções de saúde e higiene moral (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref22">Gois  Junior, 2013</xref>). Se por um lado havia entre os higienistas grupos que  priorizavam a melhora das condições de vida e educação como  principal caminho para o aperfeiçoamento da raça brasileira, por  outro havia que defendiam medidas eugênicas mais enfáticas, como o  controle da reprodução. As disputas ideológicas entre estes grupos  se refletiam nas diversas questões que perpassavam a formação da  raça brasileira, a melhoria das cidades e de seus fluxos, a mudança  dos hábitos diários e higiênicos da população. Dentre estas  preocupações, o distanciamento das cidades e aproximação com a  natureza fazia-se presente neste pensamento. </p>
<p>As  montanhas, praias e outros panoramas pitorescos ganharam logo o aval  da medicina brasileira como possibilidades adequadas para a cura  deste esfalfamento urbano. A natureza proposta e prescrita tinha ares  de domesticação e ampla modelagem através das mãos humanas  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref35">Medeiros, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref32">Marras, 2004</xref>). Estações balneárias, estâncias  hidrominerais, praias, prados, campos e montanhas: em diferentes  periódicos produzidos em nosso país, inclusive naqueles voltados  especificamente para questões relacionadas à educação física e  ao esporte, tais locais eram divulgados como ideais para o combate à  fadiga e para o revigoramento das energias.</p>
<p>No  Brasil, na passagem do século XIX para o XX, houve uma fértil  cultura de revistas. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref33">Martins (2001)</xref>, elas rapidamente se  tornaram peça fundamental no dia-a-dia da população, já que se  dispunham a assumir inúmeras funções nas relações sociais. É  sabido que estes impressos se tornaram uma fonte bastante  significativa de comunicação em um Brasil que se urbanizava,  sobretudo por ser um veículo impresso com informações condensadas  e de consumo fácil, com aparência frívola, divertida, recheada de  imagens e que, desta forma, conseguia abarcar diversos tipos de  leitores (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref33">Martins, 2001</xref>). Esta diversidade de tipos de leitores pode  ser entendida como resultado da ampliação dos grupos que  representavam uma cultura letrada no país e que, neste período,  deixaram de ser limitados aos homens adultos das classes mais  elevadas para incluir, por exemplo, mulheres, imigrantes, professores  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref9">Cruz, 2013</xref>). Neste sentido, não apenas a quantidade de impressos  aumenta, mas também suas temáticas variam, de forma que a imprensa  passa a dar visibilidade a diferentes práticas culturais, inclusive  as esportivas. </p>
<p>Em  meio a esta expansão dos periódicos em território nacional vemos  surgir, especialmente a partir da década de 1930, revistas voltadas  para a divulgação de aspectos científicos e pedagógicos  relacionados aos exercícios físicos e do esporte. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref29">Lenharo  (1986)</xref>, o aparecimento de revistas especializadas nestes temas  durante este período é reflexo do lugar central ocupado pelo corpo  em diferentes instituições que acreditavam que, para se repensar e  transformar a sociedade, era necessário tomar o corpo como um objeto  de ação. Este argumento ganha mais força no caso brasileiro quando  observamos que a criação destas revistas especializadas coincide  com a constituição dos primeiros cursos civis de formação de  professores de Educação Física nas cidades de Rio de Janeiro, São  Paulo e Vitória (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref34">Melo, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref4">Borel, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref21">Gois Junior, 2017</xref>). Neste  cenário, entre os periódicos que emergem em torno das temáticas da  educação física, higiene e saúde, podemos destacar a revista <italic>Educação  Physica</italic>, importante impresso fundado por iniciativa de dois professores de  educação física, Paulo Lotufo e Oswaldo Murgel Rezende. Seu  primeiro número foi lançado em maio de 1932, e o último em outubro  de 1945, e ao longo deste período contou com a colaboração de  personagens como o professor Américo Netto, da Escola de Educação  Física do governo de São Paulo, representantes da Confederação  Brasileira de Desportos e membros da Associação Cristão de Moços  do Rio de Janeiro e da América do Sul, além de possuir  representantes em países da Europa e África Portuguesa (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref43">Schneider,  2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref45">Schneider &amp; Ferreira Neto, 2008</xref>).</p>
<p>Esta  revista, produzida em um período de significativas mudanças  econômicas e sociais no Brasil, o Estado Novo, zela em suas páginas  por um modelo de educação do corpo de homens e mulheres que forja o  intento de enobrecer a raça brasileira e aumentar a força produtiva  da nação, através dos esportes, das ginásticas e outros  procedimentos voltados ao trabalho corporal. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref16">Goellner (1999)</xref>  “seja pela ótica do trabalho, seja pelo lazer, o trabalho corporal  é reconhecido como essencial ao desenvolvimento da nação porque  capaz de mobilizar, simultaneamente, duas energias: a do corpo  individual e a do corpo social” (p. 3).</p>
<p>Dado  seu pioneirismo e sua importância na constituição do campo da  educação física e dos esportes no país, a revista <italic>Educação  Physica</italic> vem  sendo objeto de diferentes estudos ao longo dos últimos anos, que a  abordam das mais variadas maneiras, utilizando-a tanto como fonte  para o estudo de temas referentes à educação física e ao esporte,  como objeto de investigação em si mesmo, analisando as estratégias  editoriais por trás de sua produção. Diversos autores trabalharam  com as páginas dessa revista no cenário da história da educação  física e dos esportes no Brasil, o que a torna um importante  interlocutor de numerosos assuntos que permearam a formação dessa  disciplina e da introdução progressiva dos esportes como elementos  de educação dos corpos no Brasil, entre as décadas 1930 e 1940. </p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref20">Gois  Junior e Lovisolo (2005)</xref> analisaram, nos discursos veiculados por  esta revista, as tendências do discurso do movimento higienista nas  décadas de 1930 e 1940 no Brasil. O objetivo dos autores foi mostrar  que as correntes teóricas deste movimento, determinadas pelas áreas  da medicina e biologia, influenciaram as discussões sobre educação  física no Brasil. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref23">Gois Junior, Melo e Soares (2015)</xref> estudaram, nas  páginas do periódico, o debate que se fez na educação física  brasileira dos anos 1930 sobre a melhor forma de educar os corpos,  quer seja, a ginástica ou o esporte. Os autores perceberam que,  embora as reportagens e os artigos de opinião exaltassem alguns  benefícios do esporte, alguns outros discursos propagados na revista  criticavam os exageros do esporte e os excessos de “estrangeirismo”. </p>
<p>A  respeito de uma “construção do homem novo” brasileiro, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref45"> Schneider e Ferreira Neto (2008)</xref> investigaram as disputas entre  diferentes padrões culturais que se construíram nas páginas dessa  revista, entre 1932 e 1945, a respeito da representação do  brasileiro do século XX. De acordo com os autores, havia uma  tendência à americanização da educação brasileira, e essa  tendência era bastante evidente na educação física. A  modernidade, representada pelos modelos europeus e norte-americanos,  era desejada e ancorada nas práticas esportivas, que recheavam as  páginas da revista aqui citada.</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref17">Goellner  (2000a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref18">2000b)</xref> analisou as páginas desta revista especialmente no  que tangia à educação do corpo das mulheres e à forma como elas  eram representadas. Para a autora, esta revista contribuiu na  divulgação de um discurso de certa forma padronizado a respeito do  corpo da mulher nas décadas de 1930 e 1940. Ao mesmo tempo em que  eram indicadas as práticas esportivas, de aventura, de ginástica,  as mulheres deveriam realizá-las de forma recatada, sem  promiscuidades e nem excessos, para que estas práticas corporais não  inibissem seus verdadeiros propósitos: serem belas, maternais e  femininas.</p>
<p> <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref44">Scheneider (2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref43">2010)</xref> tomou  este impresso como objeto de pesquisa, e analisou seus discursos,  tendências e intencionalidades. O autor ressalta que a revista tinha  como intenção não apenas sugerir ou divulgar práticas esportivas  e de educação física, mas, especialmente, persuadir, estimular e  fazer com que as pessoas realizem estas práticas. Assim, essa  revista funcionou como uma estratégia de conformação de práticas  e dispositivo de produção de sentidos.</p>
<p>Os  temas sobre os quais a publicação versava giravam em torno de  debates como a higiene, a educação, o valor dos exercícios  físicos, o sentimento de nacionalidade, o progresso e a moral  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref43">Schneider, 2010</xref>). No número que celebra seus dez anos de  existência, a própria revista organiza um resumo dos assuntos por  ela tratados (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref38">Primeiro decênio, 1942</xref>). Neste levantamento, os dois  assuntos são a higiene e a saúde, o que confirma estas temáticas  como as duas mais frequentes de publicação em seu primeiro decênio.  Ressalta-se que um dos temas neste decênio foi o excursionismo, o  que nos fornece um indício da importância dada pelos colaboradores  da revista às práticas corporais junto à natureza. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref10">Danailof  (2013)</xref>, ao estudar os parques infantis do Estado de São Paulo, já  havia encontrado ecos de certa indicação de espaços educativos em  meio à natureza neste periódico, ainda que esses discursos viessem,  em suas páginas, rodeados de críticas pela falta de investimento na  rede pública de ensino.</p>
<p>Buscando  seguir a lógica deste levantamento realizado pela própria revista,  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref43">Schneider (2010)</xref> organizou um temário similar tomando como fontes as  publicações posteriores à edição comemorativa de maio de 1942,  englobando os números 64 a 88 da revista. Este autor estipulou nove  eixos em foram agrupadas as matérias da revista: esportes; saúde;  alimentação; fisiologia e treinamento; fundamentos pedagógicos;  filosofia; acampamento e turismo; bibliografia e literatura; e  outros. Todos são devidamente especificados e, no eixo <italic>acampamento  e turismo</italic>,  que corresponde a 15% das matérias publicadas,“estão  elencados os títulos que agrupavam as matérias que versavam sobre  excursionismo, agenda de viagens, colônias de férias e escotismo”,  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref43">Schneider, 2010</xref>, p. 137). O aparecimento dessas repostagens ligadas  à natureza nos diferentes períodos da existência da revista, e  representando uma porcentagem significativa de entre os temas por ela  veiculados, nos levaram a uma série de questões. De que forma os  discursos de retorno à natureza eram promovidos em suas páginas?  Estes discursos se ligavam às intenções da revista, que, como  vimos, se associavam a vertentes higienistas e até eugênicas? A  volta à natureza e o ideário de vida ao ar livre tinham relação  com a intenção, expressa por autores ligados ao periódico, de  elaborar diferentes propostas de educação do corpo para o novo  corpo do homem e da mulher brasileiros?</p>
<p>Com  uma publicação não constante, embora autodenominada mensal, a  revista alcançou 88 números, considerado um grande marco para um  periódico desta época que se dedicava a uma temática  especializada, que se comprometia “com a divulgação da ideia de  que a Educação Física e os esportes são fundamentais na formação  da juventude e na preparação de mulheres e de homens para o  enfrentamento de obstáculos inerentes à vida cotidiana, urbana e  moderna” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref16">Goellner, 1999</xref>, p.4). Considerando a importância desta  revista na circulação de conhecimentos relacionados ao corpo e à  Educação Física, bem como o espaço ocupado em suas páginas por  artigos referentes à temática da vida ao ar livre, este estudo tem  como objetivo analisar as prescrições de práticas corporais junto  à natureza veiculadas pela revista <italic>Educação  Physica</italic>.</p>
<p>As  revistas utilizadas para esta pesquisa foram encontradas nas Coleções  Especiais da Biblioteca Asdrúbal Ferreira Batista, da Faculdade de  Educação Física da UNICAMP. Do total de 88 exemplares que foram  publicados ao longo dos treze anos de existência da revista, foram  encontrados nesta coleção 69 exemplares, o que significa que  pudemos analisar 78% dos números publicados. Nessas revistas,  analisamos especificamente os discursos voltados ao bom  aproveitamento da natureza, que abarcavam desde prescrições de  passeios, indicação de uso de alguns elementos naturais, até  receituários médicos que incluíam os elementos da natureza como  medicamentos indicados para a cura.</p>
</sec>
	<sec>
<title>2  CIDADE X NATUREZA: O SOL, AS ÁGUAS E AS MONTANHAS COMO ELEMENTOS DE  CURA</title>
<p>No  combate às mazelas das cidades brasileiras que atingiam seu  esplendor na aurora do século XX, como a já exemplificada São  Paulo, os médicos higienistas e sanitaristas ganharam destaque,  buscando produzir locais e modos de vida diferentes, mais benéficos  moral e higienicamente do que aqueles assumidos pela maioria da  população.</p>
<p>O  ideal de corpos belos, fortes e úteis era caro à formação da nova  sociedade que se desejava para um Brasil que se urbanizava e  industrializava. A cidade figurava como um local perverso e sujo,  ainda que berço da nova civilidade brasileira, e ameaçava o vigor  físico, a saúde, o progresso e a civilização. Era preciso impedir  que o estilo de vida urbano se tornasse responsável por definhar os  corpos e os nervos de seus habitantes.</p>
<p>A  fadiga, um dos grandes vilões já apontados na vida urbana europeia,  também emergia nas páginas da revista Educação Physica como um  componente importante no desgaste cotidiano proporcionado pela  cidade:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>A vida  moderna, especialmente nas grandes cidades, impõe um desgaste físico  extraordinário. É o “struggle for life” — tudo pela vida —  dos ingleses, que esgota o sistema nervoso e rebaixa o “standard”  orgânico, encurtando a existência humana (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref42">Scolnik, 1942</xref>, p. 34)<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>
</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  vida na cidade afastava o contato dos habitantes com as fontes  produtoras de energia e de saúde, embora fosse o local prioritário  para um estilo de vida moderno. Estabelece-se, então, um  distanciamento entre a vida na cidade e a vida na natureza. Em artigo  intitulado “Volta à natureza”, o autor, Braulio Laurencena  Drescher, diz que o luxo proveniente da cidade faz com que os  indivíduos percam suas qualidades físicas e morais, o que é  atrelado diretamente à decadência física da raça brasileira. O  autor continua dizendo que os resultados da vida urbana não são  agradáveis, e que as consequências são inúmeras, destacando:</p>
<p>
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<list-item>
<p>a)  fadiga, irritabilidade, nervosidade, histeria, demência</p>
</list-item>
<list-item>
<p>b)  desordens do fígado, rins e systema circulatório</p>
</list-item>
<list-item>
<p>c)  esforço dos sentidos especiaes como a vista, os ouvidos, etc..  especialmente nas indústrias</p>
</list-item>
<list-item>
<p>[...]</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Transtorno  do systema digestivo, produzidos por alimentação impropria</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Falta de  ar livre e sol devido às más vivências (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref11">Drescher, 1938</xref>)</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>É  imperativo neste discurso que o habitante das cidades deve abandonar  os ritmos urbanos, mesmo que por um momento, para se voltar para  outras relações, que começam a ser explicitadas a partir do  contato com a natureza. Os fatores que deveriam levar um habitante da  cidade a afastar-se das obrigações diárias deveriam ser, de fato,  a fadiga mental e o desgaste físico proporcionados pelas atividades;  os tempos prejudiciais à vida, poderiam e deveriam ser quebrados com  uma viagem de volta à natureza:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>O  turista deve procurar “renovar-se” não só proporcionando aos  seus próprios olhos espetáculos e objetos novos, como procurando  levar uma vida, embora por pouco tempo, diferente de todas as  “Viagens em zig-zag”, é necessário “suscitar contrariedades  eficazes” que se obteem com preocupações pessoais, de índole  muito diversa das que sentimos comumente porque se referem aos  esforços físicos que manteem o corpo e a alma em atividade, para  suportar privações e transpor obstáculos.</p>
<p> Escalar  cumeadas com o fim de proporcionar-se o espetáculo incomparável que  se contempla das alturas; caminhar quilômetros buscando as nascentes  dos rios e dos riachos; descer ao fundo dos barrancos e precipícios,  são causa de esforços prolongados, de sofrimento mesmo, mas  sofrimento doce, que obrigam o organismo a intensificar suas funções  e acabam em prazer físico e espiritual (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref42">Scolnik, 1942</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref42">, p. 34</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Um  dos períodos eleitos pelo discurso médico para que se desse essa  “fuga” do meio urbano rumo à natureza eram as férias. As  correntes médicas que se ocupavam da melhoria do corpo e da  produtividade do trabalhador impunham a necessidade deste período de  descanso como compensação ao esfalfamento causado pelas intensas  rotinas no meio urbano-industrial. Setores mais radicais da  moralização dos costumes e higienização das cidades e da  sociedade, como os eugenistas, também aprovavam o afastamento da  população para locais junto à natureza nos períodos de férias,  bem como em outros momentos, como os finais de semana. Renato Khel<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>,  adepto de uma eugenia classificada como negativa (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref19"/>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref22">Gois Junior</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref19">, 2003</xref>),  assinou diversos artigos na revista Educação Physica em que  exaltava os benefícios de um período de férias distante das  cidades:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Não há  povo civilizado que não conheça e não pratique esta  importantíssima obrigação sanitária de ausentar-se, todos os  anos, das ocupações, indo passar uns dias à beira mar ou nas  montanhas, respirar ares diversos, descansar a vista em paisagens  diferentes, poupar os órgãos das mesmas intoxicações; em suma,  criar novas fôrças, fortalecer-se, rejuvenescer-se, para um novo  ano de lutas. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref27">Kehl, 1941b, p. 27</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  natureza que auxilia as prescrições médicas, como as propostas por  Khel, não é aquela selvagem tampouco aquela que apresentava ares  rurais: seus elementos, quer seja o sol, as montanhas ou as águas  eram tratados com um rigor científico que caracterizava o  positivismo como ideologia médica dominante (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref47">Soares, 1990</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref48">1994</xref>;  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref31">Luz, 1982</xref>). Assim, um caráter prescritivo pautado e legitimado pela  ciência é notado nas páginas da Revista Educação Physica ao  tratar das questões relacionadas aos exercícios físicos e ao  contato com os elementos naturais, em especial as águas, a luz do  sol e os ares das montanhas. </p>
<p>O  sol como importante provedor de recursos energéticos para os tecidos  é um elemento resgatado pelo “novo naturalismo do século XX”,  conforme <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref14">Feinmann (1940)</xref>. O autor diz que os banhos de sol eram  grandes auxiliares da medicina grega e que este deveria ser utilizado  para o revigoramento. A diferença é que isso não aconteceria mais  de forma empírica, e sim por meio de sólidos conhecimentos  científicos – a chamada <italic>helioterapia</italic>:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>O sol  age terapêuticamente sôbre grande número de estados mórbidos.  Antigamente, as curas solares eram feitas de modo empírico e, mesmo  assim, com reais proveitos; atualmente elas se assentam em  experiências e fatos indubitáveis, após as conquistas de Finsen e  de seus continuadores, estabelecendo-se regras perfeitamente  científicas, constituindo-se o novo ramo da arte de curar denominado  helioterapia (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref26">Kehl, 1941, p. 44</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref6">Carter  (2012)</xref>, ao estudar o contexto inglês, afirma que o uso da luz do sol  com finalidades clínicas começou a surgir já nas últimas décadas  do século XIX. Nas primeiras décadas do século XX, esta prática  passou a ser pensada com grande ênfase na questão da eficácia,  sendo considerada um importante aliado no tratamento de doenças como  a tuberculose e o raquitismo, desde que aplicada de maneira correta  e, de preferência, com acompanhamento de profissionais, os  helioterapeutas. Ao se tornar uma ciência, a exposição a este  elemento deveria seguir regras e leis que equacionassem o seu uso,  dividindo os princípios em variáveis gradativas e diferentes  quantidades. Este movimento de medicalização dos raios solares pode  ser observado, também, no Brasil. No artigo “Como se devem tomar  os banhos de sol”, as regras para a prática da helioterapia são  explicitadas em tópicos, que contém as indicações e  contraindicações, o tempo adequado e a gradação de exposição ao  longo dos dias:</p>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>1º No  primeiro dia se expõe unicamente a primeira zona (pés e pernas) á  acção directa do sol, durante 10 minutos</p>
</list-item>
<list-item>
<p>2º No  segundo dia, repete-se o que se fez no primeiro e immediatamente  depois se expõe a segunda zona, sem cobrir a primeira. Ambas ficarão  expostas durante 5 minutos. Quer dizer pois, que, o dia da 2ª zona  recebe -5 minutos de banho e a segunda só 5</p>
</list-item>
<list-item>
<p>3º No  terceiro dia, repete-se o que se fez no segundo [...] (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref8">Como se  devem... 1937, p. 94</xref>)</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>As  queimaduras e contraindicações do uso do sol também apareciam como  fatores relevantes na divulgação deste elemento natural. As  diferenciações entre os raios ultravioletas e infravermelhos já  estampavam as discussões das revistas, definidos como as causas  recém descobertas da insolação e dos malefícios do sol. Ainda  assim, a exposição ao sol era indicada, com ressalvas e cuidados  para aqueles que desejavam usufruí-lo:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Entre as  enfermidades produzidas pela acção dos raios solares, temos a  insolação, por exposição do corpo humano á acção directa de um  sol intenso durante alguns minutos. É frequente nas praias  balneárias, em que a maioria das pessoas comparece sem nenhuma  experiência, com um objectivo apenas: queimar-se ao sol, sem tomar  nenhuma precaução. Observam-se, ás vezes, casos, graves em virtude  das pessoas exporem-se, em demasia, ao sol. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref12">Etchevarne, 1938, p. 26</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Outro  fator considerado relevante para o bom usufruto dos banhos de sol  eram os acessórios adequados para a boa prática da helioterapia:  óculos, chapéus, cremes e trajes específicos adentraram o universo  do contato <italic>cientifizado</italic> com a luz do sol (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref49">Soares, 2011</xref>). </p>
<p>A  extensa difusão que os óculos escuros contra o sol já encontravam,  funcionando principalmente como um item de moda, preocupava de certa  forma aqueles que indicavam a helioterapia. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref25">Grotacos  (1938)</xref>, a difusão deste item deveria se dar pela noção higiênica  proporcionada principalmente através das revistas científicas, e  não apenas como um acessório da vestimenta moderna. </p>
<p>Além  dos óculos, outras preocupações deveriam acompanhar o vestuário  dos banhistas, para a proteção dos excessos ocasionados pelos raios  solares:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Para que  a pele possa suportar as exposições prolongadas, sem prejuízos, é  aconselhável o uso dos cremes ou líquidos que a protejam. [...].  Convém recordar que é perigoso receber os raios solares sôbre a  nuca ou na parte superior do pescoço, de modo que quando não se tem  um amplo chapéo, é preciso proteger com um lenço grande ou com uma  toalha (Regras, 1939, p. 33)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  progressão utilizada ao longo dos dias e a incidência dos raios de  sol sobre o corpo eram questões centrais da helioterapia, ao ponto  de tabelas serem montadas para auxiliar os banhistas. Pacífico  Castelo Branco aponta em artigo intitulado <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref5">“A técnica dos banhos  de sol” (1939)</xref> uma tabela de subtítulo “esquema de insolação  progressiva de Rollier”, que possuía as variáveis: dias, zona do  corpo e duração, que aumentavam progressivamente, conforme o  banhista se tornasse mais adaptado àquele elemento. </p>
<p>A  água foi outro elemento que ocupou lugar de destaque nas páginas da  revista <italic>Educação  Physica</italic>,  principalmente na vertente mais ligada à higiene pessoal, os banhos.  A recente descoberta microbiana alavancara a noção de que a pele  era um invólucro permeado de imundícies, o que elevava a  importância do banho como fator higiênico. Além da limpeza  externa, o banho serviria para evitar a propagação dos “germes”,  agentes malignos prontos para invadir o organismo:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Calculando-se  o número médio de micróbios deixados na banheira após o banho e  tendo em conta a superfície do tegumento cutâneo, chegou-se à  conclusão de que podem existir 40.000 em cada centímetro quadrado  de pele. [...]. Além de imundície, a falta de banho diário  representa um atentado às narinas estranhas, à própria saúde,  visto permitir a população de germens patogênicos, sempre prontos  a invadir o organismo incauto na primeira oportunidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref27">Kehl, 1941b,  p. 26</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>Há,  neste mesmo artigo, uma diferenciação entre os usos das águas  quentes e frias na tônica do organismo. O banho frio deveria ser  tomado todos os dias pela manhã, de forma breve, para que não  houvesse perdas excessivas de calor. Os benefícios seriam sentidos  depois do banho: “a pele aquece-se e colore-se de novo, a  respiração torna-se ampla, o pulso cheio, o indivíduo sente  legítimo estado de euforia, um bem-estar agradabilíssimo” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref27">Kehl,  1941b, p. 26</xref>).</p>
<p>Já  os banhos mornos, com temperatura até 30ºC, só eram aconselhados  aos velhos e às crianças, por sua ação calmante e sedativa,  apropriadas para o uso daqueles com os corpos estafados. O autor  desaconselha o uso de banhos acima de 32ºC, já que esta temperatura  ao invés de revigorar o corpo, apenas servia para o deixar  amolecido. Com relação aos banhos de vapores, banhos turcos ou  russos, afirmava que estas práticas serviriam apenas para o luxo ou  a apreciação da novidade (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref27">Kehl, 1941</xref>).</p>
<p>O  modelo de banho mais divulgado nas páginas da revista era o banho de  mar, aliado ao clima marítimo proporcionado por uma estadia nas  praias. O uso destes locais, que ficavam apinhados de visitantes no  verão, deveria ser feito com cautela pelos banhistas. A primeira  regra que deveria ser observada era o tempo a ser guardado entre a  refeição e o banho de mar, contando “uma ou duas horas depois de  uma ligeira refeição, e três ou quatro horas após um almoço ou  jantar fortes, com excepção daquellas pessoas que sómente podem  tomar banho em jejum” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref3">Boigey, 1937, p. 72</xref>).</p>
<p>A  forma adequada de banhar-se deveria seguir à risca as indicações.  O ideal era que todo o corpo, inclusive a cabeça, fosse submergido  ao mesmo tempo; uma vez dentro do mar, o banhista deveria abaixar-se  e levantar-se alternadamente, ou então nadar durante todo o tempo  que o banho durasse (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref3">Boigey, 1937</xref>). De modo geral, as indicações  para o uso das praias e dos banhos de mar podem ser sintetizadas com  o seguinte trecho:</p>
<p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>1º -  Procurar passar, pelo menos, três semanas de descanso.[...]</p>
</list-item>
<list-item>
<p>2º -  Tomar cada dia quatro banhos: de ar, que durará todo o dia; de mar,  que durará 5, 10, até 15 minutos; de movimentos (exercícios), que  durará uma hora; e finalmente banho de sol, que durará de 5 até 30  minutos</p>
</list-item>
<list-item>
<p>3º -  Vestir-se racionalmente [...]</p>
</list-item>
<list-item>
<p>7º -  Deitar-se cedo e dormir de 8 a 10 horas, completando-as com a sesta.  Tomar um banho de chuveiro para retirar todas as partículas de areia  que tenham aderido à pele. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref51">Spes, 1943, p. 36</xref>)</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>As  águas quentes tinham indicações de uso totalmente controladas, a  começar pelo local de seu usufruto, uma vez que se reservava a  estabelecimentos termais, sob a vigilância de funcionários que  cuidavam para que as prescrições médicas fossem respeitadas. Para  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref37">Pathault (1940)</xref>, a questão técnica dos banhos era o que existia de  mais importante para os resultados futuros, e um profissional  treinado no manejo das banheiras e das práticas acessórias era  parte fundamental.</p>
<p>Ainda  conforme Pathault, a hidroterapia funcionava como um meio para a  obtenção da saúde, e não como um fim. Logo, era necessário  cuidar do que vinha antes e depois, atentando-se aos detalhes, como a  temperatura do ambiente e da água, e os procedimentos após o fim  dos banhos. É desta forma que o autor explica o insucesso de alguns  tratamentos:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>É  justamente porque não se explica ao pessoal nem aos ajudantes o  sentido e o valor dêsses fenômenos, que vemos tantos erros  cometidos diariamente. Muita gente que toma seu banho ou sua ducha,  retira-se do estabelecimento sem outro beneficio que uma satisfação  passageira, o que não é, de modo algum, uma ação profunda e  durável. Não obtém, dêsse modo, a décima parte das vantagens que  poderiam obter si houvessem sabido utilizar-se melhor dos meios,  sejam sedativos, sejam estimulantes, que se tem o direito de  conquistar (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref37">Pathault, 1940</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>As  ações curativas das águas quentes são expostas em outro artigo,  intitulado “O tratamento hidroterápico na paralisia infantil”. O  autor Galdino Nunes Vieira atribui o aumento nos casos de paralisia  infantil às relações da vida moderna, que degeneram física e  moralmente os seres humanos. O tratamento da paralisia com as águas  termais era eficaz por conta de três características. A primeira  eram as ações térmicas proporcionadas pelas águas quentes; a  segunda, as ações mecânicas como a ginástica funcional e as  massagens; e a terceira as ações nervosas, que se davam pelo  estímulo proporcionado ao sistema nervoso com a imersão nas águas  (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref55">Vieira, 1944</xref>). O artigo sugere que um conhecimento científico mais  aprofundado sobre a utilização da água como cura para diferentes  males vinha se difundindo na mesma medida em que os saberes médicos  passavam a se sobrepor às práticas populares.</p>
<p>Além  dos raios solares e das águas, as montanhas também ganharam  destaque nas páginas da revista <italic>Educação  Physica</italic>,  principalmente através do excursionismo, da marcha e dos  acampamentos, atividades possíveis e amplamente divulgadas pelo  periódico.</p>
<p>Em  um artigo de Hollanda de Loyola intitulado “Montanhismo”, é  exaltado o caráter utilitário desta prática, digno de ser  utilizado para a educação integral da juventude. Além do prazer  sadio da vida ao ar livre em contato com a natureza, este “desporto”  era indicado por suas qualidades morais, como o “robustecimento da  saúde e a recreação do espírito” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref30">Loyola, 1942, p. 40</xref>). O autor  destaca que a montanha deveria ser o cenário escolhido por  proporcionar beleza às vistas e ar puríssimo, além da virtude  moral de possibilitar que durante a subida o montanhista vencesse os  medos que surgissem (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref30">Loyola, 1942</xref>).</p>
<p>A  marcha nas montanhas se mostrava um exercício físico diferente em  esforço daquele realizado no plano, e exigia alguns cuidados.  <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref24">Goulart (1940)</xref> explica em seu artigo que os abusos cometidos pelos  atletas, como percorrer distâncias maiores do que poderiam ou  utilizar equipamentos inadequados quase minaram o interesse da  população por este esporte. Para o autor, ao extrapolarem os  limites do próprio corpo, os montanhistas deixavam de aproveitar as  maiores vantagens das montanhas, como a paisagem do percurso. Desta  forma, exaltou as medidas de segurança tomadas em relação a esta  prática:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Uma  razoável moderação, sabiamente imposta aos imprudentes ou  inconscientes por intermédio de instruções aos guias, e mesmo  ordens terminantes para não se permitir imprudências, puzeram  felizmente côbro á fúria daqueles que pensavam haver glória em  correr e vencer maratônas montanhistas, mesmo sem gozar as  principais vantagens da montanha que são: o ar puríssimo, uma  insolação preciosa e rara e a tranquilidade tônica das grandes  altitudes. (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref24">Goulart, 1940, p. 12</xref>)</p>
</disp-quote>
</p>
<p>A  principal indicação das matérias da revista a este esporte era  aquela de viés patriótico. O excursionismo e o montanhismo foram  atividades prescritas por despertarem o interesse da população com  relação às belezas naturais do país (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref2">Azambuja &amp; Silva, 1945</xref>).  Este foi o grande motivo para que o Conselho Nacional de Desportos  publicasse, no número 77 da revista, um parecer sobre o  excursionismo, no qual foram exaltados o caráter higiênico, moral e  físico desta prática, ligados à ideia de que ela possibilitaria um  real conhecimento sobre as realidades físicas do país. </p>
<p>A  própria revista tentaria se incumbir de divulgar os recantos  pitorescos do país em colaboração com os clubes excursionistas  brasileiros. Na seção “Sugestões para o fim de semana”, criada  em 1944 para dar suporte a esta iniciativa, o local divulgado foi o  recreio dos bandeirantes, no Rio de Janeiro (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref52">Sugestões, 1945</xref>). Na  edição seguinte (número 87), o local pitoresco digno de ser  visitado a estampar as páginas da matéria foi o Corcovado. No  seguinte, e último a ser publicado pela revista, a sugestão foi a  visita ao Pão de Açúcar, que deveria ser feita não apenas com os  bondinhos, pois “um verdadeiro excursionista não desposará o  ensejo de escalar as faldas do penhasco...” (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref53">Sugestões, 1945,  p.29</xref>).</p>
<p>Apesar  das críticas à falta de incentivo governamental ao desporto, Aroldo  Moreira, secretário administrador do Centro Excursionista, aponta  que a criação da UBE (União Brasileira de Excursionismo) fora um  passo muito importante na divulgação do desporto, e que a falta de  propaganda poderia deixar de ser um empecilho agora que o  excursionismo havia se tornado mais organizado (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref36">Moreira, 1945</xref>). Por  fim, na mesma edição, M. S. Coelho exalta uma ação da UBE que  promoveu a visitação à Pedra da Gávea, em que dezenas de jovens  excursionistas realizaram atividades no local (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref7">Coelho, 1945</xref>). Esta  ação pode servir para ilustrar o escopo de atividades que teriam  sido oferecidas pela UBE, entretanto, não é possível determinar  qual era a abrangência das ações propostas pela União.</p>
</sec>
<sec>
<title>CONSIDERAÇÕES  FINAIS</title>
<p>O  que se percebe ao olhar para as 69 edições da Revista <italic>Educação  Physica</italic> utilizadas  neste trabalho é que há uma ideia recorrente de uma volta  reparadora à natureza. Os artigos, que se pronunciam quanto ao  destino escolhido, o tempo de repouso, as práticas corporais a serem  realizadas, preconizavam que em meio à natureza era possível  cultivar aspectos morais, físicos e higiênicos que não eram mais  encontrados nas cidades. É possível afirmar, portanto, que a  natureza e seus destinos e elementos foram amplamente utilizados como  aliados às intenções editoriais da revista, quer seja, educar de  forma diferente o homem e a mulher brasileiros, através de novas  normas morais e sanitárias.</p>
<p>Ao  folhear suas páginas, percebemos que as águas, os raios solares e  as montanhas, com seus ares mais salubres e percursos desafiadores,  desde que utilizados de forma racional, segundo prescrições muito  bem delineadas pela medicina, emergem como importantes espaços de  regeneração física e moral frente aos males e vícios impostos  pelos meios urbanos. A natureza era promovida nas páginas da revista  de diversas formas: através de indicações de viagens rumo a  destinos em meio à natureza; da indicação da maneira correta de se  fazer as malas e procurar pelos destinos; da indicação da  quantidade dos elementos a se ter contato, como nos raios de sol,  água do mar e águas termais. Outras formas de indicar a natureza  tinham como aliado o discurso do bom aproveitamento das férias, e de  que este tempo deveria ser vivenciado longe das cidades, em locais  rodeados pela natureza.</p>
<p>É  preciso frisar também que não se falava ali de qualquer natureza:  não havia indicações de destinos perigosos ou aqueles em meio ao  mundo rural, sinônimo de doença e moleza. A natureza indicada nas  páginas da revista era aquela já analisada, medida e quantificada  pela ciência, que deveria ser aproveitada a conta-gotas. Afinal,  aqueles que a procuravam deveriam dosar seu uso, para que não se  exigisse demais dos corpos nos tempos de descanso, mas que, ao mesmo  tempo, não se deixassem levar pela ociosidade. Assim, é possível  afirmar que esta natureza só foi possibilitada nas páginas das  revistas depois de uma minuciosa investigação científica a  respeito dos elementos naturais presentes nos discursos.</p>
<p>Podemos  concluir, portanto, que as revistas de vulgarização científica  serviram para impulsionar o turismo em meio à natureza, alinhando  essa prática aos ditames médicos e higiênicos.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title>

REFERÊNCIAS</title>
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<mixed-citation>Alvim,  Z. (1998) Imigrantes: a vida privada dos pobres do campo. In: NOVAIS,  F. A. (coord.); Sevcenko, N. (org.) <italic>História  da vida privada no Brasil 3:</italic> República:  da Belle Époque à época do rádio.  São Paulo: Companhia das Letras.</mixed-citation>
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<surname>Alvim</surname>
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<source>História da vida privada no Brasil 3: República: da Belle Époque à época do rádio</source>
<year>1998</year>
</element-citation>
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<mixed-citation>Azambuja,  O.; Silva, F. (1945) Excursionismo e montanhismo – cinco grandes  conquistas. <italic>Educação  Physica</italic>,  (87), 11-14.</mixed-citation>
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<source>Educação Physica</source>
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<mixed-citation>Boigey,  M. (1937) A influencia hygienica do mar e dos banhos de mar. <italic>Educação  Physica</italic>,  (13), 70-73.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Silva,  A. L. S. (2008) <italic>A  perfeição expressa na carne: A  educação física no projeto eugênico de Renato Khel – 1917 a  1929</italic>.    (Dissertação mestrado) – Escola de Educação Física.  Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil</mixed-citation>
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<source>A perfeição expressa na carne: A educação física no projeto eugênico de Renato Khel – 1917 a 1929</source>
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<mixed-citation>Soares,  C. L. (1990) <italic>O  pensamento médico higienista e a Educação Física:</italic>  1850 a 1930. (Dissertação mestrado) – Faculdade de Educação.  Pontifícia Universidade Católica. São Paulo, Brasil.</mixed-citation>
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<source>O pensamento médico higienista e a Educação Física: 1850 a 1930</source>
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<mixed-citation>Soares,  C. L (1994) <italic>Educação  física: raizes  europeias e Brasil</italic>.  Campinas, Brasil: Autores Associados.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Soares,  C. L (2011) <italic>As  roupas nas práticas corporais e esportivas: a  educação do corpo entre o conforto, a elegância e a eficiência </italic>(1920-1940). Campinas, Brasil: Autores Associados.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Sugestões  para o seu fim de semana. (1945) <italic>Educação  Physica</italic>, Rio  de Janeiro, n. 87, p. 41.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Sugestões  para o seu fim de semana. (1945) <italic>Educação  Physica</italic>, Rio  de Janeiro, n. 88, p. 28-29.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Thomas,  K. (1996) <italic>O  homem e o mundo natural: mudanças  de atitude em relação a plantas e aos animais</italic> (1500-1800).  São Paulo, Brasil: Companhia das Letras.</mixed-citation>
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<mixed-citation>Vieira,  G. (1944) O tratamento hidroterápico na paralisia infantil. <italic>Educação  Physica</italic>,  ( 77), 56.</mixed-citation>
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<title>Notas</title>
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<label>1 </label>
<p>  	Apesar  	de a urbanização ter sido um fator importante na ascensão do  	higienismo no Brasil, não podemos atribuir uma relação de causa e  	efeito entre estes processos, uma vez que grande parte da população  	ainda habitava as zonas rurais e poucas eram as cidades brasileiras  	de grande porte neste período. </p>
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<label>2</label>
<p>A  	ortografia da época foi mantida nas citações dos documentos</p>
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<label>3 </label>
<p>Renato  	Khel defendia desde práticas vistas como mais brandas, como o  	higienismo e sanitarismo das cidades, até a segregação das raças  	e o branqueamento da população, vistas como medidas mais radicais.  	 Acreditava que os exercícios físicos eram importantes práticas  	eugênicas, já que permitiam a conquista de corpos fortes e  	vigorosos (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref28">Kinoshita, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref46">Silva, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_439954642002_ref47">Soares, 1990</xref>). As  	atividades em meio à natureza apareciam como um complemento a este  	pensamento, já que no ideário eugênico, a cidade também se  	configurava como um local de degradação da raça e dos corpos.</p>
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